Foi uma espécie de bulldozer que passou pelo Ministério da Educação. Fernando Alexandre fez desaparecer 11 organismos e dispensou 18 dos 45 dirigentes superiores em funções em julho de 2025. Chamou-lhe um “virar de página na organização” e descreveu a máquina que começou a desmontar como “anacrónica, inadequada, que não está ajustada aos desafios da sociedade”. Não falta nas escolas quem concorde com o ministro sobre a necessidade de desburocratizar o trabalho de professores e diretores nem quem veja com bons olhos o fim da multiplicação de plataformas nas quais era preciso ir adicionando uma e outra vez informações repetidas. Mas a imagem que mais vezes aparece nas conversas com docentes, diretores e pessoal que trabalha nos serviços do ministério quando se fala sobre a reforma de Fernando Alexandre é a de uma remodelação que deitou abaixo paredes-mestras.
Ainda é cedo para avaliar o impacto da reforma do ministério que o ministro Nuno Crato, no tempo de Pedro Passos Coelho, disse ter vontade de “implodir”. Mas, para já, houve pelo menos dois momentos em que ficou claro que a reestruturação da máquina da Educação a deixou com peças a menos e que isso obrigou Fernando Alexandre a recorrer a remendos para resolver situações que anteriormente o sistema montado tratava antes que se tornassem casos políticos. Foi o que aconteceu com os exames, em que os problemas na digitalização e as falhas na resposta às dúvidas dos professores corretores deixaram em evidência a manta curta de um processo que ficou mais centralizado, com menos comissões regionais de exames (passaram de 35 para 21). E foi também o caso dos problemas na colocação de alunos, em que, pela primeira vez, várias centenas de crianças e jovens viram o ano letivo começar sem saber que escola frequentariam. Mas a falta que fazem alguns dos organismos e dirigentes que desapareceram do organigrama do Ministério da Educação ainda pode fazer-se sentir mais à frente, avisa quem está nas escolas.