Conheci Eurico Figueiredo em 1961, no meu primeiro ano na Universidade de Lisboa. Inscrito na Faculdade de Medicina, comecei a colaborar regularmente com o Cineclube Universitário de Lisboa, de que Eurico tinha sido vice-presidente no ano académico 60-61, deixando marcas de um dinamismo criativo que a nova direcção, que integrei, tentava fazer perdurar. Vim a conviver mais directamente com o Eurico ao envolver-me na Comissão Pró-Associação dos Estudantes de Medicina de Lisboa, de que ele assumira a presidência havia pouco. Lembro-me de ter ficado logo de início cativado pela sua forte personalidade.
Determinado, inovador nas propostas e nos métodos de acção, visionário e ao mesmo tempo pragmático – Eurico irradiava confiança, vontade de agir e de vencer. Havia nele uma aura de líder que despertava interesse e atracção. Tornámo-nos rapidamente amigos. Amizade que se foi fortalecendo muito para lá do companheirismo da luta política.
