A fotografia não foi encenada. Luísa Louro Grácio estava a tentar fechar a Panças, a Castanha, a Preta e a Choné no curral quando chegámos a sua casa, a mais alta da aldeia de Monte Cimeiro. Os ténis de um branco-OMO são de quem tinha ido à biblioteca do Sardoal, a vila mais próxima e sede do concelho, a dez minutos de carro, e se apressara para nos receber.
Andávamos desencontrados desde o início da tarde, primeiro à porta do Jardim de Infância de Presa, a única escolinha em toda Alcaravela, onde tínhamos ido à coca de casais jovens, ouvindo que “um de Lisboa” se mudara para a freguesia durante a Covid. Mais tarde, cruzáramo-nos junto à igreja de Santa Clara, vinha Luísa do Sardoal com a filha a dormir no carro e estávamos nós à espera do pároco. A conversa ia ter de esperar porque já sabíamos que Francisco Valente se paramenta em cima da hora por causa da correria entre as três comunidades de fiéis que tem a seu cargo e não queríamos perdê-lo nem atrasar a missa de quarta-feira.
