O grafismo é quase perfeito, idêntico ao das páginas do jornal digital ECO, e recorre a uma fotografia de Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais, aquando da sua visita ao programa Casa Feliz, da SIC (apresentado por João Baião e Diana Chaves), para ilustrar as notícias falsas, a circular há vários meses nas redes sociais. Os títulos vão mudando ligeiramente, sendo que o mais recente é “Banco de Portugal processa Pedro Andersson pelo que disse ao vivo na TV”. Neste caso, escrevem que a transmissão televisiva em direto teria sido interrompida a mando do Banco de Portugal, pelo facto de o autor da rubrica Contas-Poupança (também da SIC) e do livro Ganhar Dinheiro – Como criar riqueza com um salário normal, se ter descaído e revelado ter enriquecido rapidamente graças a uma plataforma de criptomoedas. “É um relambório de mentiras, a única coisa verdadeira é a imagem”, conta Andersson à VISÃO.
A imagem e declarações falsas de outras figuras públicas (atores, apresentadores…) já foram usadas em anteriores esquemas de burla, com contornos semelhantes. “Não é inocente que usem alguém supostamente credível para reforçar a confiança das pessoas”, sublinha o jornalista. A partir dos links adicionados na notícia falsa, os burlados são remetidos para uma página da internet e, depois do registo, são bombardeados com pedidos de transferência de dinheiro. Após o fazerem, deixam de receber informações e dificilmente conseguem reaver as quantias transferidas.
“Estou a receber dezenas de mensagens, a maioria a alertar para a burla, outras de pessoas desconfiadas a querer saber se é mesmo verdade e, felizmente, poucas a dizer: ‘já transferi o dinheiro, e agora?’ Foram quatro ou cinco casos, mas se fosse apenas um já seria preocupante”, lamenta Pedro Andersson. “Deixa-me horrorizado este uso da minha imagem e causa-me alguma ansiedade saber que esta burla está a decorrer… sinto-me de mãos atadas”, confessa Andersson, que nas páginas do Contas-Poupança já denunciou a burla e fez, inclusive, um podcast sobre como evitar estes crimes online. “Há uma falta de literacia financeira e digital… Neste caso concreto, o endereço [url] que utilizaram na notícia era estranho e o texto, em Português do Brasil, também levantava algumas suspeitas, mas está a ficar cada vez mais difícil de identificar estas burlas, o que é preocupante para qualquer órgão de comunicação social”, acrescenta. O departamento jurídico da SIC está a analisar o caso, para decidir como reagirá.
Na conta do Instagram, o ECO também já alertou os seus leitores para “a existência de páginas falsas nas redes sociais e noutros meios digitais que estão a simular a imagem do seu site para publicar artigos falsos com o objetivo de levar os leitores a aderirem a plataformas relacionadas com a transação de bitcoins”.
Em 2023, o Portal da Queixa recebeu quase 25.000 reclamações relacionadas com burlas online em Portugal, um crescimento de 37% face ao período homólogo de 2022. O valor estimado dos prejuízos ultrapassa os cinco milhões de euros, um valor médio de 364 euros.
Caso se depare com uma notícia suspeita, o melhor é nem sequer clicar nos links, sobretudo, quando a promessa de ganhos parece ser boa demais para ser verdade. Em caso de dúvida, não forneça dados pessoais. Leia com atenção, confirme as informações e não se deixe pressionar para fazer investimentos sem um tempo de reflexão.
O que fazer em caso de uma burla online?
– Havendo transferências patrimoniais guardar os registos de todas essas transferências e contactar de imediato a sua entidade bancária.
– Caso se confirme ou suspeite de uma situação fraudulenta, reporte de imediato ao órgão de polícia criminal mais próximo (PSP, GNR ou PJ) ou ao Ministério Público.
– Pedir apoio a estruturas de apoio à vítima para lidar com o sofrimento emocional causado pela situação de vitimação e garantir acompanhamento ao longo do processo-crime.
Poderá contactar a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV):
• Pela Linha Internet Segura – 800 21 90 90 | chamada gratuita | dias úteis das 09h às 21h | linhainternetsegura@apav.pt;
• Pela Linha de Apoio à Vítima – 116 006 | chamada gratuita | dias úteis das 09h às 21h;
• Através de qualquer Gabinete de Apoio à Vítima da APAV