Amanheceu diferente, a cidade de Lisboa. O habitual trânsito caótico da capital deu lugar a uma inusitada calma. Algumas das artérias, habitualmente, mais movimentadas apresentavam o mesmo tráfego de uma manhã de sábado. Às 8h30, a Praça de Espanha era uma via rápida. Os carros que se costumam enfileirar pela Av. Calouste Gulbenkian fora estavam em parte incerta. Medo de um trânsito caótico ainda maior? Tolerância de ponto? Férias? Talvez um misto dos três.
Junto aos Mosteiro dos Jerónimos, ultimavam-se os últimos pormenores. As crianças, que mais tarde cantariam para Bento XVI, começaram a chegar às 9h30. Enquanto isso, os militares iam treinando a marcha e ensaindo o hino nacional.
O ritmo turístico não parou por causa da visita papal. Eram muitos os estrangeiros que cumpriam o roteiro delineado e que “obriga” a uma passagem pelo Mosteiro.
Alguns idosos chegaram cedo e tomaram os poucos bancos de rua que estão de frente para a entrada dos Jerónimos. “A segurança é um bocadinho exagerada, o nosso povo é português suave”, brincava José Martinez, 84 anos, morador da zona, no seu passeio matinal diário, embora hoje “mais animado”. Posicionado junto a uma grade, estava pronto para uma espera de mais de duas horas para ver Ratzinger.
A viagem até ao Terreiro do Paço foi tranquila. Os autocarros circulavam quase vazios pela Av. da Índia e Av. 24 de Julho. Carros? Quase uma miragem (estas artérias não estavam cortadas às 10h30). O movimento maior era mesmo no rio, onde as embarcações da polícia marítima faziam voltas de patrulhamento e uma fragata da Marinha se impunha na paisagem.
Bem de frente para o palco/altar já se aglomeravam algumas dezenas de pessoas. Prevenidas para a espera até à hora da missa, no final da tarde, trouxeram farnel, mantas e banquinhos. As vendedoras de rua tentavam fazer negócio e apregoavam “olha o lenço para ser abençoado. Só €1”, enquanto acenavam um pedaço de pano branco com uma imagem dos três Pastorinhos prensada a azul. Também havia cachecóis, a €5, com um desenho alusivo a Fátima.
Mais à frente, na Praça da Figueira, o posto de venda oficial das t-shirts da visita papal vendia como pãezinhos quentes. A €5 e vários tamanhos à escolha.