Todos os seres humanos minimamente conscientes sofrem por alguma razão ao longo da vida. O que varia é o grau de sofrimento que enfrentam a cada momento. Alguém disse que a dor “é uma escola de força”. Mas todos procuram escapar ao sofrimento e para isso recorrem ao álcool, a substâncias químicas, ou a estilos de vida que lhes pareçam proporcionar um escape para o seu mau estar.
Mas quando se compreende e aceita que o sofrimento faz parte da vida, isso representa saúde para o indivíduo, favorece o conhecimento e domínio de si próprio, pois permite-lhe desenvolver valor humano e espiritual, treina a inteligência, ajuda a encontrar o significado da vida e aprofunda tanto as convicções como os limites pessoais. Tal experiência torna o indivíduo mais humano, mais próximo dos outros e ajuda-o a combater o mito moderno de encarar a felicidade como um estado e não um momento.
Esse momento é o justo equilíbrio entre o que a pessoa deseja e aquilo que ela consegue. Por outro lado, o que determina a sensação de felicidade nem sequer é que lhe vai sucedendo na vida mas sim o modo como ela o encara, ou seja, como a pessoa interpreta a sua realidade.
Nesta matéria a gestão de expectativas é fundamental. Se o indivíduo as coloca muito alto, tanto relativamente a pessoas como a situações, será desiludido muitas vezes, ficará frustrado e dificilmente se sentirá feliz. O melhor é viver o presente de forma equilibrada, enquanto supera eventuais traumas e feridas do passado e encara o futuro com uma atitude esperançosa.
Mas haverá algum antídoto para o sofrimento? Algo que funcione mesmo, já que o álcool, as drogas, as adições de toda a espécie ou a vida dissoluta são falsas soluções, não só porque não conseguem preencher o vazio interior provocado pelo sofrimento, como ainda o agravam com consequências funestas no âmbito mental, emocional, físico e social?
E é aqui que voltamos ao amor. Não apenas o amor romântico mas o amor pelos outros em geral, sejam eles do nosso sangue ou não. É o que pensa a psiquiatra espanhola Marian Rojas Estapé, autora da obra “Como Fazer para Acontecerem Coisas Boas”: “É a coisa mais importante na vida e o único antídoto para o sofrimento. É a resposta para tudo. Não há nada na história que cure e proteja tanto quanto o amor.”
Pode parecer lamechice mas é pura ciência, como comprova a autora: “Existe um estudo muito importante de Harvard que mostra que o parâmetro que mais condiciona as pessoas a envelhecer saudáveis e felizes é o amor. A solidão (involuntária) mata, sentir-se sozinho mata, a solidão tem um efeito na saúde equivalente ao do tabaco. É uma pena que tenhamos de dar uma base científica às coisas mais óbvias para que as pessoas acreditem nelas. Mas, sim, é preciso voltar ao amor. E isto é medicina, não é pseudociência. O que acontece é que vivemos numa sociedade em que deitamos fora o que está estragado, em vez de o consertar. Também o amor. A esse respeito, teríamos muito a aprender com os nossos pais e avós.”
É que, como dizia William Shakespeare: “O amor não se vê com os olhos, mas com o coração.”
Talvez seja desconcertante para muitos, mas para os crentes não é difícil compreender esta verdade profunda, que o amor cura, porque o amor é precisamente a essência de Deus, como diz João Evangelista, o apóstolo: “Deus é amor” (I João 4:8b). E se os homens fizessem o que Deus espera e deseja, o mundo seria bem diferente: “Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” (1 João 4:7,8).
A Madre Teresa de Calcutá, que devotou a sua vida aos outros, aos pobres dos mais pobres, afirmava: “Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor”. Nem mais.
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