Em declarações aos jornalistas esta manhã, no Porto, Luís Montenegro anunciou a convocação extraordinária de Conselho de Ministros para este sábado. O primeiro-ministro admitiu ainda que a situação atual “não é agradável” e “causa apreensão” e disse estar a fazer uma “avaliação profundada” da sua situação “profissional, familiar e política” para “servir com total disponibilidade” o país “sem ter sobre mim nenhuma mácula”. Montenegro deverá comunicar as suas conclusões ao país amanhã, pelas 20 horas.
“Amanhã às 20:00 comunicarei ao país as minhas decisões pessoais e políticas sobre esta matéria para que o Governo possa governar, possa centrar toda a sua atenção e toda a sua disponibilidade a servir o interesse do país e dos portugueses, resolvendo os seus problemas”, disse aos jornalistas, antes da cerimónia de entrega das chaves da cidade do Porto ao Presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu prestei serviço de assistência jurídica a esse grupo numa altura em que não tinha nenhum cargo político. Em função disso, não participarei em nenhuma decisão que envolva essa empresa. Nunca decidi nada em conflito de interesses com qualquer atividade profissional”, acrescentou.
As declarações de Luís Montenegro surgem na sequência de uma notícia, avançada pelo jornal Expresso, que revela o grupo Solverde paga à empresa Spinumviva, detida pela mulher e os filhos do primeiro-ministro, uma avença mensal de 4500 euros por “serviços especializados de ‘compliance’ e definição de procedimentos no domínio da proteção de dados pessoais”.
A notícia, que tem gerado muita polémica, levou o líder do Chega a defender esta sexta-feira que o primeiro-ministro deve demitir-se ou apresentar uma moção de confiança para ser votada no Parlamento.
Pedro Nuno Santos, secretário-geral do PS, no debate da moção de censura ao Governo há uma semana, já tinha questionado Montenegro sobre a sua relação com o grupo Solverde. Na altura, o primeiro-ministro respondeu que “não é preciso qualquer conflito de interesses que possa dimanar de uma relação profissional ou contratual” e que impor-se-á “inibição total de intervir em qualquer decisão” que respeite a Solverde ou a outras com que “estiver ligado por relações familiares, de amizade ou razões profissionais”.