Após um período em que a economia europeia conseguiu resistir a grandes choques – como a crise energética, a alta inflação e a subida de juros –, começam a surgir sinais de que algo pode estar a quebrar. A Alemanha, a grande locomotiva da Zona Euro, tem perdido tração e está com dificuldades para se manter sobre os carris, ameaçando o resto do bloco económico. Fora do Velho Continente, a China aparenta estar num processo de abrandamento em curso, sucumbindo à crise no imobiliário e ao fraco consumo interno. Pelo meio, os bancos centrais de alguns dos maiores blocos económicos do mundo, como os EUA ou a Zona Euro, ainda estão hesitantes em dar por terminado um dos ciclos mais violentos de agravamentos das taxas de referência.
Assim, não é de estranhar que a Comissão Europeia tenha esta semana revisto em baixa a estimativa para o crescimento da UE em 2023 de 1,1% para 0,8% e de 1,6% para 1,3% no próximo ano. “A UE evitou uma recessão no último inverno – o que não foi fácil, dada a magnitude dos choques que enfrentamos. No entanto, os variados ventos contrários que afetam as nossas economias este ano levaram a uma dinâmica de crescimento mais fraca do que o projetado na primavera”, referiu Paolo Gentiloni, comissário europeu da Economia.
