Os mais céticos poderiam já ter-se interrogado sobre se o filão criativo que alimentava Dan Brown se teria extinguido. Ou alvitrar se o autor, confortavelmente apoiado na marca dos mais de 250 milhões de livros publicados e traduzidos em 56 idiomas, sentiria que nada mais tinha a provar ao mundo. Os mais dados à especulação até podem ter-se questionado sobre se, acompanhando o ar dos tempos e reproduzindo o atual paradigma dos “homens fortes e tech bros”, Brown estaria agora dedicado a viagens turísticas à Lua, à construção de bunkers numa ilha remota ou à investigação sobre a sua própria imortalidade. A sua fortuna pessoal, estimada algures entre 150 e 250 milhões de dólares, teria seguramente permitido uma, duas ou todas as indulgências acima mencionadas. Mas O Segredo dos Segredos (Planeta, 704 págs., tradução de Tânia Ganho), anunciado no início de 2025, acabou de chegar às livrarias. E seguiu os mandamentos de invasão dos best-sellers – a marca registada deste autor.
O novo romance de Dan Brown teve lançamento mundial simultâneo em 18 territórios, onde se incluem países como Alemanha, Brasil, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, EUA, Finlândia, França, Itália, Países Baixos, Polónia, Portugal, República Checa, Suécia e Turquia, dando provas do vasto público transnacional seduzido por caças ao tesouro em forma de page-turner. Este regresso literário conta com um trunfo familiar: o personagem Robert Langdon, dito especialista em simbologia (disciplina inexistente nos currículos da alta academia), professor de Harvard, decifrador de enigmas religiosos e artefactos antigos.