A exposição do concurso World Press Photo 2017, apoiada pela VISÃO e a SIC Notícias, foi ontem inaugurada e abre esta sexta-feira ao público em Lisboa, no Museu Nacional de Etnologia.
“Há imagens difíceis de ver, outras agradáveis e até muito belas. Todas elas celebram o jornalismo actual, as histórias que acontecem no mundo e que marcam”, disse a curadora Suzan van den Berg à agência Lusa.
A fotografia de Burhan Ozbilici do assassinato do embaixador russo na Turquia foi a polémica vencedora deste ano e não está à entrada da exposição, como é habitual nestas mostras. Porquê? Foi uma decisão das duas comissárias, as holandesas Suzan van den Berg e Sophie Boshouwers.
“Não é realmente necessário que a imagem que recebeu o maior prémio esteja à entrada. Ela foi muito debatida, o que foi bom, mas nós optámos por não o fazer”, justificou Suzan van den Berg.
O próprio presidente do júri do concurso World Press Photo 2017, Stuart Franklin, revelou, em Fevereiro, quando o prémio foi revelado, que votou contra a imagem do assassinato do embaixador russo na Turquia.
“Esta imagem de terror não deveria ser a fotografia do ano. Eu votei contra”, afirmou o presidente do concurso internacional num artigo de opinião publicado, na altura, na edição online do jornal britânico The Guardian.
A foto escolhida pelo júri do prémio internacional mostra o polícia turco de pé, ao lado do corpo do embaixador Andrei Karlov, após o assassinato, que ocorreu durante um discurso, na inauguração de uma exposição de arte na capital da Turquia.
A imagem, captada por Burhan Ozbilici, fotógrafo da Associated Press, faz parte de uma série intitulada An Assassination in Turkey (Um assassinato na Turquia), que também conquistou o World Press Photo na categoria “Spot News – Stories”.
“É a imagem de um assassinato, com o assassino e o morto, ambos na mesma fotografia, e moralmente é tão problemático como publicar um terrorista a decapitar a vítima”, sustentou o presidente do júri.
“Colocar esta fotografia num pedestal tão alto é um convite àqueles que contemplam a espetacularidade destes palcos: reafirma a associação do martírio e publicidade”, considera ainda.
Franklin elogiou o trabalho do fotógrafo turco e considera que merece reconhecimento, mas recorda que o debate sobre esta questão não é novo e que o seu voto contra foi por recear que os grandes prémios amplifiquem as mensagens de terroristas pela publicidade adicional.
É a terceira vez que a cobertura de um assassinato vence o concurso World Press Photo, sendo a mais conhecida a da morte de um suspeito guerrilheiro Vietcong, captada por Eddie Adams em 1968.
Na exposição, as fotografias percorrem oito categorias, desde o desporto, a natureza, a vida quotidiana, e revelam muita da violência actual no mundo: a guerra na Síria, a crise de refugiados que tentam atravessar o Mediterrâneo, onde muitos deles perdem a vida, as prisões nas Filipinas, onde os detidos dormem alinhados em escadas, sem poder esticar as pernas.
Durante a mais importante exposição de fotojornalismo do mundo, a VISÃO vai publicar vouchers exclusivos para leitores. Esteja atento à VISÃO, todas as quinta-feiras nas bancas.
Horário: Terça-feira das 14h às 18h, Quarta-feira a domingo das 10h às 18h. Encerrado à segunda-feira e dia 1 de maio
Bilheteira: Geral € 3,00; Estudantes* € 1,50; Cartão jovem (15-25 anos)* € 1,50; Sénior (> 64 anos)* € 1,50; Portadores de deficiência € 1,50
Entradas Gratuitas: Grupos escolares | Professores e auxiliares educativos que acompanhem grupos escolares | Crianças até aos 12 anos | Jornalistas | Desempregados*