
A instalação performativa da Oficina do Galo no Passeio das Virtudes, no Porto, junto à Cooperativa Árvore, desafia o público a pedalar para dar luz a um pálido candeeiro
Sara Santos Silva
São mais de cem as cidades portuguesas com centro histórico, ou seja com um conjunto edificado de valor urbanístico e patrimonial, embora nem todas tenham um programa específico para festejar o Dia Nacional dos Centros Históricos, que se comemora na próxima terça, dia 28. “Cada cidade faz a sua própria comemoração”, observa Raimundo Noras, da Associação Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico (APMCH) à VISÃO Se7e. Este ano, é Tomar a receber as cerimónias oficiais, no mesmo dia em que se assinalam os 207 anos do nascimento do escritor e poeta Alexandre Herculano, se entrega o prémio nacional Memória e Identidade ao general Ramalho Eanes e se organiza uma visita ao Convento de Cristo. “Não é uma efeméride, mas uma proposta da cidade para assinalar o dia”, esclarece Raimundo Nora.
No Porto, porém, as comemorações já começaram e prolongam-se até terça, 28. A temática da luz e a relação desta com o lugar inspirou instalações artísticas, que podem ser visitadas através do novo Percurso de Luz do projeto Alumia, inserido no programa da festa. Da primeira edição, realizada em dezembro, mantiveram-se Start, de Diogo Aguiar Studio, instalada no Largo dos Lóios, e que é o ponto de partida de um trajeto onde a luz permite outros olhares sobre o centro histórico do Porto. A esta peça que tira partido do movimento das sombras delineadas pelos seus doze braços, junta-se Eclipse, do ateliê FAHR 021.3, no Largo do Amor de Perdição, junto ao Centro Português de Fotografia.
Às obras da primeira edição, juntam-se agora mais sete instalações efémeras, para ver apenas até terça, dia 28 (visitas gratuitas sáb-ter 19h, 20h30, 21h30). São elas o Gerador (de 6 volts) de Comunidade, da Oficina do Galo, instalado no Passeio das Virtudes junto à Cooperativa Árvore, tal como a Casa do Senhor X e da Senhora Z, de Patrick Hubmann e Renata Portas. Depois é seguir os diferentes pontos dispersos ao longo das Escadas da Vitória e da Rua da Vitória para olhar de perto Manifesto da Luz, de João Dias Oliveira, Nuno Mota e Rossana Ribeiro, Umbra, de ELAS DUAS, Ride the Light, de João Félix e João Relvas, Yellow Sobremarine, de Pedro Barata e, a fechar, Tile Light, da Digital Fabrication Lab.

A cidade de Viana do Castelo junta-se às comemorações do Dia Nacional dos Centros Históricos organizando um roteiro pelo azulejo
No cartaz da festa, organizada pela câmara do Porto, cruzam-se ainda passeios a pé com histórias encantadas na voz da escritora Adélia Carvalho, uma performance colaborativa feita com cordas de roupa e camisas brancas, momentos de circo contemporâneo pela Companhia Erva Daninha, música medieval e jazz no Varadim da Torre dos Clérigos e uma exposição de fotografia sobre a reabilitação do património no Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP).
Em Braga, a data assinala-se na terça-feira, 28, com dois ateliês: Sentir o Barro e HojeÀFonte, na Fonte do Idolo e nas Termas Romanas do Alto da Cividade (9h30-13h, 14h-17h30). No mesmo dia, as visitas aos dois espaços arqueológicos musealizados, e ainda ao Domus da Escola Velha da Sé, serão gratuitas. Em Viana do Castelo, a proposta passa por um roteiro pelos azulejos da cidade minhota, a partir das 17 horas, na Praça da República.
Em 2018, será a cidade do Machico, na ilha da Madeira, a receber as cerimónias oficias do Dia Nacional dos Centros Históricos.
Comemorações do Dia Nacional dos Centros Históricos > centro histórico do Porto > até 28 fev, ter