É a chegada a Portugal da marca The Social Hub. Abriu no Porto, no início de março, o vigésimo empreendimento dessa cadeia de “hotelaria híbrida”. Depois disso, já chegou também a Roma, e Carcavelos está na lista para, dentro de alguns meses, ter também o seu Social Hub.
Tudo começou em Roterdão, nos Países Baixos, em 2013, quando aí se inaugurou o The Student Hotel, misturando alojamento para estudantes, quartos de hotel, áreas de coworking e de convívio, bar e restaurante, tudo com um design contemporâneo e cativante. A mudança de nome para Social Hub quis sublinhar a ideia de comunicação com a comunidade e o ambicioso objetivo de contribuir para “uma sociedade melhor.”

A unidade do Porto – que neste momento é o hotel com mais camas disponíveis na cidade – veio apresentar uma novidade que não existe em mais nenhuma das suas congéneres em várias cidades europeias: uma zona com 39 apartamentos (sobretudo da tipologia T1, mas também T2), que se podem alugar por um período de 12 meses.
Bem no centro da cidade, praticamente à frente do Teatro Rivoli e a dois passos do Mercado do Bolhão, dos Aliados e da Câmara Municipal do Porto, e com tantos quartos disponíveis, é surpreendente a calma e a serenidade que se sente em praticamente todos os espaços do Social Hub – o pátio exterior é comum ao complexo do Bonjardim e aberto a toda a gente e no último andar há, claro, um rooftop com vistas largas em várias direções, uma pequena piscina e, em breve, um bar.

Talvez as coisas se agitem um pouco mais quando vários estudantes passarem a viver ali (a abertura em março não coincidiu com o início de ano letivo ou semestre universitário). Circulando pelo The Social Hub não demoramos muito a perceber que, de facto, este hotel é muito mais do que um hotel.
A primeira meia perdida
À entrada, a primeira coisa que vemos é um balcão de cafetaria, mas que vende vários produtos, como azeite, compotas e conservas. A receção é um discreto balcão circular logo a seguir, preparado para que os clientes tratem sozinhos do check-in (mas sempre com alguém por perto para ajudar). Mais à frente, vê-se uma original mesa de pingue-pongue toda preta e uma outra de snooker com pano azul. Um hall atípico que tem feito com que, nestes primeiros tempos, alguns transeuntes mais curiosos entrem e perguntem: “Mas, afinal, o que é isto do Social Hub?” A palavra “hotel” não está escrita à porta.

E se continuassem a explorar o edifício, perceberiam que é mesmo mais do que um hotel. Tem, por exemplo, uma sala de silêncio, com mesas, cadeiras e livros (mas transparente, com vidros a toda a volta); uma sala multimédia, com um grande ecrã na parede e onde, por exemplo, se pode gravar um podcast com todas as condições; uma cozinha comunitária onde cada um pode cozinhar e guardar a sua comida (os frigoríficos até têm gavetas seguras individuais, que só podem ser abertas com o cartão magnético atribuído a cada hóspede); várias zonas e salas de trabalho; e uma lavandaria com máquinas de lavar e secar e tábuas de engomar que pode ser reservada através de uma aplicação.

Foi aí que, no dia da visita da VISÃO, aconteceu um momento histórico para o The Social Hub do Porto. Uma parede apresenta uma série de cabides por baixo das palavras “lost socks”. Esse misterioso drama das meias perdidas e desirmanadas acontece, já se sabe, em qualquer lugar onde exista uma máquina de lavar… Ali, quando se encontra uma meia perdida, ela é colocada na parede, esperando que o legítimo dono a reencontre. E, pela primeira vez, ali estava uma solitária peúga branca à espera do reencontro.
A ideia de criar um espírito de comunidade subjaz a todo o conceito deste… hotel. Por isso, houve mesmo um “open day” dedicado a todos os vizinhos, locais ou viajantes com curiosidade. E uma das suas funcionárias, a Kika, tem como principal missão encontrar pontes e pontos em comum entre hóspedes, potenciando ligações e, quem sabe, projetos conjuntos.
Um bom sítio para o fazer será o restaurante, com uma porta independente para a Praça D. João I, com uma carta renovada semanalmente, onde há sempre muitos petiscos para partilhar, e ininterruptamente aberto ao longo do dia, sem horários rígidos para almoçar e jantar.
Lugar de trabalho O The Social Hub Porto disponibiliza várias soluções de espaços de trabalho partilhado (coworking), independentes da funcionalidade como hotel. Há secretárias individuais (a partir de €153/mês), pequenos escritórios e a possibilidade de ter um passe diário (€12,50/dia). Ao fim de um mês e meio de abertura, esta zona do Social Hub já tem uma grande taxa de ocupação
The Social Hub Porto > Pç. D. João I, 80, Porto > T. 22 030 0550 > quartos desde €98/noite, alojamento para estudantes desde €777/mês, apartamentos desde €1 100/mês