“Irritado pelo insucesso do golpe que não silenciou em definitivo a voz, o assassino saltou, de pés juntos, sobre o peito agonizante da jovem que jazia no buraco, gritando ‘… morre de uma vez, cabra… morre, morre, morre desgraçada!…’ Golfadas de sangue começaram a brotar da boca que não parava de suplicar, parecendo não desistir de viver.”
Lê-se este trecho logo na segunda página do prólogo do livro Gangue do Multibanco – Memórias de uma Inspetora-chefe da Polícia Judiciária (ed. Diário de Bordo, 298 págs., €22,50), de Ester Silva, recentemente lançado. Só o leitor mais distraído é apanhado de surpresa pela brutalidade da descrição. Numa nota prévia, a autora alerta para que a narrativa que se segue é uma ficção baseada em factos reais, e que pretende “levar o leitor a refletir sobre o quanto a mente criminosa pode ser perversa”.