Em novembro de 1973 abria na Rua Castilho, em Lisboa, o Hotel Altis, um projeto do arquiteto Fernando Miranda com design de interiores de Daciano da Costa. Propriedade do construtor e empresário Fernando Martins, o quarto “cinco estrelas” da cidade assumia-se desde o início como um hotel de negócios, investindo nas áreas públicas e nas salas de reuniões (começou com sete, hoje são 20). Talvez por isso tenhamos ouvido falar tanto dele ao longo destas quatro décadas: ali ficaram alojados muitos dos jornalistas estrangeiros que vieram cobrir a Revolução em 1974, ali se organizaram encontros para a criação e legalização de partidos políticos, ali se realizaram grandes festas, e já é conhecido como o quartel-general do Partido Socialista nas noites eleitorais e também do Futebol Clube do Porto cada vez que a equipa está em Lisboa.
Após três anos de renovações e já depois de, em 2013, ter mudado de nome, apresenta-se o “novo” Altis Grand Hotel. A cargo das arquitetas Cristina Santos Silva e Ana Menezes Cardoso, a remodelação implicou a transformação dos 300 quartos do hotel, incluindo a suite presidencial, do hall e ainda a criação do novo Lobby Bar (na antiga receção). O legado deixado por Daciano da Costa foi respeitado, e foram até resgatadas do armazém do hotel algumas cadeiras originais, postas agora junto às esculturas de Figueiredo Sobral, perto do bar Herald, no primeiro andar, e também no restaurante Grill D. Fernando, no 12.º piso, com a sua vista privilegiada sobre Lisboa e as propostas do chefe Rui Santos Silva. Também os candeeiros que iluminaram o hotel nos anos 70, atualmente, estão no hall e em algumas suites. O cunho da dupla de arquitetas nota-se, por exemplo, na nova palete de cores mais sóbrias, tal como nos latões, lacados e na madeira de ébano.
Como escreveu, no livro publicado por ocasião dos 30 anos do Altis, Fernando Martins, falecido em 2013, “o presente é toda a história vivida, o futuro é tudo o que desejamos para melhor servir os clientes”. O Altis Grand Hotel parece estar pronto para mais quatro décadas de histórias.