Seguindo pela estrada da Lagoa Azul, que depois toma o nome de Estrada da Serra, chega-se à Quinta do Pisão. Estamos em pleno Parque Natural de Sintra-Cascais e a paisagem convida a um passeio demorado.
Como forma de promover a visita e a descoberta desta quinta, a agência Cascais Natura e o pelouro do ambiente da Câmara Municipal de Cascais, em colaboração com a Fundação D. Luís I, organizam, pelo quarto ano consecutivo, mais uma edição da exposição LandArt (ver caixa). Nesta edição participam os artistas portugueses Ana Vieira, Catarina Câmara Pereira, Ricardo Lalanda, Luís Filipe Valente e Susana Tereso, o espanhol Rablaci e o são-tomense Eduardo Malé. Até 1 de julho, percorra o Pisão ao sabor de esculturas e instalações, participe nas visitas guiadas e oficinas de arte, assista aos concertos de jazz ao ar livre e converse com os artistas.
O movimento Land Art, ou arte na paisagem, surgiu na década de 60 e resultou do reencontro artístico do Homem com a Natureza, como resposta à artificialidade, à estética do plástico e à comercialização implacável da arte nos EUA. Desse reencontro nasceram obras impossíveis de confinar numa galeria ou num museu, efémeras e construídas essencialmente com materiais dapaisagem onde se inseriam. Robert Smithson, Carl Andre, Dennis Oppenheim, Andrew Rogers, Alan Sonfist e James Turrell são alguns dos nomes de referência destes “artistas da terra”.
A exposição

Com curadoria de Luísa Soares de Oliveira, a edição deste ano junta cinco artistas e sete projetos no espaço da quinta Ana Vieira, Catarina Câmara Pereira, Rablaci, Eduardo Malé e Ricardo Lalanda, e uma mostra de desenhos em papel de Susana Tereso e Luís Filipe Valente, no Centro Cultural de Cascais (22 abril a 27 maio).
Ana Vieira, por exemplo, realizou Ciclos da Terra, um conjunto de bandeiras que recordam os trabalhos agrícolas que aqui se faziam quando o Pisão era local de cultivo de cereais, de pastoreio de rebanhos e onde se cozia a cal. Em Peddy Paper, assinada em conjunto com a escultora Catarina da Câmara Pereira, é a memória dos tempos de lazer que as duas artistas invocam, onde fragmentos de corpos e resíduos pintados em cor-de-rosa jazem esquecidos na paisagem, encenando um piquenique abandonado e despertando a curiosidade sobre o que ali aconteceu. Mais à frente, a laranjeira desfigurada e acorrentada numa corda de Rablaci (Metáfora do corpo atado) manifesta a incapacidade do Homem em acariciar um ramo ou contar as estrelas. E Eduardo Malé lembra–nos quão frágeis e efémeros somos, através do uso de materiais perecíveis nas suas peças, como a fibra de bananeira, papel, nozes de coco e cascas de árvores.
A quinta
Localizada no sopé da serra de Sintra, a Quinta do Pisão tem uma área de 450 hectares. Outrora dedicada à atividade agro-silvo-pastoril, constitui um importante património ecológico, cultural e histórico do concelho de Cascais. A vegetação, de uma riqueza única, é constituída por aroeiras, sobreiros, zambujeiros, salsaparrilha, ulmeiros, abrunheiro-bravo, sanguinho-das-sebes, carrasco ou gilbardeira.
São também várias as espécies de fauna que por aqui habitam: perdiz, águia de asa redonda, peneireiro-comum, garça-real, raposa, geneta, coelho-bravo, cobra-de-escada, lagartixa-do-mato comum e a salamandra de pintas amarelas. Recentemente, vieram também para aqui viver alguns burros mirandeses e um rebanho de ovelhas.
A quinta está aberta ao público todo o ano e pode visitar-se a pé, de bicicleta ou a cavalo.

Oficinas, visitas guiadas e ‘workshop’ lomográfico
O programa complementar à exposição inclui várias atividades, como oficinas de land art para adultos, dirigidas pelos artistas André Banha e Dalila Gonçalves (21 abril, 5 maio, 2 junho e 16 junho, sempre às 10 horas). Para ficar a conhecer melhor o espaço, há visitas guiadas à quinta duas durante o dia, em que terá também oportunidade de conversar com os artistas (19 maio e 30 junho, às 10 horas), e duas noturnas, em noite de Lua cheia (5 maio e 2 junho, a partir das 22 horas). Para o dia 19 de maio, às 14 horas, está marcado um workshop lomográfico e pode sempre concorrer a uma das Lomo destinadas a premiar as melhores fotografias tiradas durante a exposição (a cerimónia de entrega será no último dia, a 1 de julho, às 15 horas).
Todas as atividades são gratuitas mediante inscrição através do email landart@cascaisnatura.org, à exceção do workshop lomográfico que tem um custo de 10 euros por participante.
Quinzenalmente, aos domingos e a partir das 16 horas, os finais de tarde são animados ao som da música jazz, promovidos pelo JACC Jazz ao Centro Clube. Já este domingo, 22 de abril, é a vez do trompetista Jeb Bishop. Seguem-se Burton Green (6 maio), José Peixoto e António Quintino (20 maio), Sofia Vitória e Luís Figueiredo (3 junho), e Maria João e João Farinha (17 junho). Carlos Zíngaro fecha o programa musical a 1 de julho.
Land Art Cascais
Quinta do Pisão Estr. da Serra, Cascais (em frente ao corte para a Barragem do Rio da Mula) T. 21 099 5478 Até 1 Jul, Seg-Dom 9h-20h
Centro Cultural de Cascais Av. Rei Humberto II de Itália, Cascais T. 21 484 8900 Árvores Espontâneas, de Susana Tereso / Estudo Sobre A Paisagem, de Luís Valente 22 Abr-27 Mai Ter-Dom 10h-18h
