Se o nome, Arquivo, remete para o passado, o conceito, esse, está mais orientado para o futuro… Os arquitetos Inês Frade e Tiago Júdice encontraram no palacete do século XVIII, onde, entre 1932 e 1995, funcionou o Arquivo Distrital do Porto, o local certo para dar forma ao projeto original que tinham em mente.
Instalaram o seu ateliê no topo da casa, que partilham com a 3Cultura (uma empresa que cria e gere projetos na área das indústrias culturais e artísticas), e deixaram os dois andares inferiores à disposição da arte, da cultura e da gastronomia.
Ali, nada é apenas o que é… Há uma contaminação positiva permanente que torna singular cada uma das áreas e oferece um conjunto atrativo. Vamos por partes, se é que tal é possível…
O restaurante foi pensado para proporcionar momentos singulares de degustação. Da responsabilidade do Chef Jorge Peres, está instalado numa sala tranquila, voltada para o verde das traseiras, onde se contam apenas 16 lugares sentados. Com uma carreira feita em Londres, o chef, que estudou com Jamie Oliver, apresenta uma cozinha internacional de métodos clássicos, valorizando os produtos genuínos. Mas há outras opções para provar as iguarias que faz, em que o requinte pode ser ajustado ao gosto do cliente: algumas das belas salas do palacete podem ser personalizadas e requisitadas para jantares privados.
Pela gastronomia chegamos ao design e ao “Antiquário do século XX”, de Raul Sousa, ex-sócio da Casa Almada. É ele que pode ajudar a decorar as salas para os jantares mais reservados. Há uma década que se dedica a selecionar mobiliário dos melhores designers europeus peças com história, desenhadas sobretudo por criadores italianos, nórdicos e alemães.
Está a seu cargo a decoração dos diferentes espaços da casa. Com a particularidade de que móveis e peças podem ser adquiridos pelos clientes.
A terceira vertente é a arte contemporânea. Periodicamente há exposições temporárias (a última foi de Miguel Palma) e oferece-se, também, um serviço de consultoria na aquisição e gestão de coleções de arte.
Mas no Arquivo tudo parece girar em torno da palavra “dinâmica”. Desde o mês passado, organizam-se sessões de audiofilia e gastronomia, a pensar em melómanos que apreciem experiências de escuta lenta. Um convidado especial (pode ser um músico, um colecionador, um jornalista) escolhe um vinil para ser ouvido durante o jantar e o chef prepara um menu adequado ao som.
Arquivo
Pç. da República, 38, Porto
T. 22 202 3129
Restaurante: Seg-Ter 12h30-14h30, Qua-Sáb 20h-23h
Antiquário: Seg-Dom 10h-20h (por marcação)