Por esta altura, a política costumava entrar na silly season, para banhos e descanso. Mas o caos nos exames nacionais e as polémicas sobre Luís Neves fazem antecipar um verão quente para Luís Montenegro que chega a julho com a pior avaliação dos últimos dois anos: 41% dos inquiridos numa sondagem do Público consideram a sua governação “má” ou “muito má”. E são vários os ministros que lhe têm dado dores de cabeça, com a Saúde, a Habitação e a Educação no topo das queixas dos portugueses. A VISÃO fez um exame aos ministros e a avaliação está tremida, mas o mandato está longe de ter acabado. A maioria dos eleitores não deseja uma crise política nem está convencida de que a oposição seja alternativa, por isso Luís Montenegro ainda tem tempo para mostrar o que vale.

Fernando Alexandre
Caído em desgraça
Começou a pacificar as escolas, com a reposição do tempo de serviço congelado nos anos da Troika. Mas há dois anos que não sabe dizer quantos professores estão em falta. Fez programas para aumentar o número de docentes, mas há um ano que recusa dar dados sobre quantos doutorandos estão a dar aulas nas escolas. Entretanto, o ímpeto reformista fê-lo extinguir 50% dos serviços no Ministério da Educação para poupar 50 milhões por ano. Continuando uma reforma iniciada pelo PS em 2016, quis tornar totalmente digital (e usando IA nas respostas de escolha múltipla) a avaliação dos exames nacionais. Isto, apesar de, no ano passado, o teste piloto com 20 mil provas de Filosofia ter revelado muitos problemas. Resultado? Um calendário que derrapou várias vezes, erros na digitalização, falhas na avaliação por IA (pelo menos, em Filosofia e Físico-Química) e muitas dúvidas sobre a fiabilidade da correção depois de alunos verem disparar para cima ou para baixo as notas e de haver provas que não foram avaliadas na íntegra por falta de folhas de continuação. O caos valeu-lhe o fim de um certo estado de graça que, na verdade, já começava a esboroar-se nas escolas. O ataque aos professores e diretores foi uma jogada arriscada que pode ter uma fatura política pesada.
