A ocasião já entrou para o histórico dos momentos mais constrangedores vividos durante cerimónias públicas no imponente Salão Nobre do Ministério das Finanças, no Terreiro do Paço lisboeta. Aconteceu a 29 de outubro passado, quando foram assinadas as vendas das participações do Fundo de Resolução e do Tesouro no capital do Novo Banco (13,54% e 11,46%, respetivamente) ao atual dono da instituição, o francês BPCE (Banque Populaire Caisse d’Epargne). O fundo norte-americano Lone Star já tinha vendido, em agosto anterior, àquele grupo francês, os 75% que detinha no Novo Banco, saindo da operação, em apenas cerca de oito anos, com um resultado líquido que um antigo vice-governador do Banco de Portugal, como se lerá adiante, considera “absurdo”, de tão elevado.
De volta à cerimónia no Salão Nobre: às tantas, os telemóveis das dezenas de pessoas presentes, num silêncio ensurdecedor, começaram a receber mensagens que davam conta de uma enorme operação de buscas da PJ, em curso no Novo Banco e em muitos outros locais. O irlandês Mark Bourke, presidente-executivo do Novo Banco indicado pelo Lone Star (entretanto reconduzido no cargo pelo BPCE), saiu apressado dali, sem esperar que as palmas finais terminassem. Miranda Sarmento, ministro das Finanças, e Luís Máximo dos Santos, presidente do Fundo de Resolução e vice-governador do Banco de Portugal, dois dos principais intervenientes na cerimónia, também foram rápidos a abandonar o salão. Fizeram a melhor cara possível, mas não prestaram declarações aos jornalistas.

