Com o Governo a caminho do terceiro orçamento, sobrevivendo a três debates do Estado da Nação em minoria absoluta e a suspirar para que a temporada de incêndios corra melhor do que nos dois anos anteriores, ninguém acredita que esta desolada situação se possa perpetuar arrastando-se assim até ao outono de 2029.
Discretamente, o Gabinete de Estudos do Ministério das Finanças veio dizer que, afinal, os compromissos assumidos de elevação da despesa em Defesa irão afetar a estabilidade orçamental, prejudicar a trajetória de redução da dívida pública e determinar um aumento dos impostos. Igualmente, no linguajar asséptico dos relatórios para Bruxelas, o Governo confessou que já não tem margem para reduções do IRS e o bónus estival das pensões está em grande dúvida.
Fernando Alexandre continua a falhar prazos para publicação de todas as notas dos exames do ensino secundário, que deveriam estar corrigidos a 10 de julho e publicados a 14, mas que ainda aguardam pelas últimas alterações nas disciplinas em que foram detetados erros quando já está a terminar a 2ª fase de exames. Para tentar compensar a estupefação causada pelas notas suspensas e pelas negativas de -3, o Governo inventou uma terceira época de exames, em setembro, mas que só permitirá concorrer à 2ª fase do concurso de acesso ao ensino superior quando muitos cursos já terão a oferta esgotada. Pelo meio, foram recuperadas as passagens administrativas do tempo do PREC com a atribuição da nota mínima de 9,5 nas quatro disciplinas em que a correção digital entrou em colapso.
Ana Paula Martins, recordista na apresentação de Planos de Emergência por executar, nas demissões controversas e na desresponsabilização permanente, está a aproveitar a turbulência para evitar explicar porque já estão a ser recusadas grávidas nas novas urgências centralizadas da península de Setúbal e de Loures, ou o que vai fazer depois de só terem sido preenchidas 243 das 711 vagas do concurso para médicos de família, o que garantirá o aumento dos utentes sem médico atribuído.
Enquanto os preços da habitação galgam para um aumento anual de 20%, Miguel Pinto Luz já está, muito antes da obra começar, com uma divergência de dois anos com a ANA acerca da data da entrada em funcionamento do novo aeroporto de Lisboa, se em 2035 ou 2037.
A despesa com as novas fragatas já vai em 3,9 mil milhões de euros, mas Nuno Melo continua sem explicar qual a incorporação tecnológica e as vantagens para as empresas portuguesas, já para não falar da ausência do escrutínio político e jurídico do aumento das despesas militares.
Luís Neves promete agora todos os dias que irá prestar o esclarecimento cabal das rocambolescas notícias das últimas semanas que afetam a autoridade e credibilidade de uma área de soberania.
Castro Almeida continua sem dizer como vai garantir a conclusão dos projetos do PRR que não estejam terminados no final de agosto, suando na angústia de ser inquirido sobre os apoios à recuperação das casas afetadas pelas tempestades do inverno que não chegaram ainda ao fim de quase seis meses.
Palma Ramalho insiste na teimosia da lei laboral enquanto ignora as propostas sobre direitos parentais e a transposição da diretiva europeia sobre igualdade de género em matéria salarial.
Vários ministros aproveitam a confusão na Educação e no MAI para tentarem fazer-se de mortos para evitar atenções incómodas. Raramente se viu um Governo tão esgotado pouco mais de um ano depois da relegitimação eleitoral de 2025.
Neste contexto, depois da volúpia brasileira das férias de 2024 e da festa algarvia enquanto o País ardia em 2025, parece estranho o sacrifício franciscano de um primeiro-ministro sem férias. Depois de falar de incêndios rurais a partir da flash interview de um estádio americano e da confusão com os exames a partir de um festival de música, sob o manto protetor de um simbólico anúncio da Solverde, o que apetece dizer, depois desta forma de tanto trabalhar é que deviam deixar o Luís ir de férias.
Para já este Governo, entre o paralisado e o atarantado, garante para Luís Montenegro o prémio Laranja Amarga da época balnear.
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