Em 2020, a mortalidade dos doentes hospitalizados com Covid-19 foi de 11,6%. Contudo, à medida que os profissionais de saúde foram aprendendo mais sobre a doença, as mortes diminuíram. No início da pandemia, em maio e abril, a taxa de mortalidade entre os internados era de 16,4% mas, em setembro e outubro, desceu para 8,6%.
Esta é apenas uma das conclusões de um estudo agora publicado no jornal científico JAMA Network Open, que analisou a ficha clínica de cerca de 1 milhão de adultos, 175 mil deles infetados com o vírus SARS-CoV-2 nos Estados Unidos da América (EUA).
Os investigadores recorreram à Inteligência Artificial (IA) para analisarem os dados dos pacientes e avaliarem a progressão da Covid-19. Um dos objetivos era desenvolver algoritmos capazes de ajudarem os médicos a prever as situações em que é expetável os doentes hospitalizados desenvolverem doença grave.
Entre os doentes que exigiram cuidados hospitalares, 49% tinham outra doença associada, a mais comum foi a diabetes (25,9%). A doença pulmonar crónica, os problemas renais, a doença cardíaca ou a obesidade também são agravantes
Entre os principais fatores de risco destaca-se a desregulação do pH. A doença hepática, a demência e a obesidade também antecipam mais complicações, assim como ter uma idade mais avançada ou ser do sexo masculino.
Também ficou demonstrado que as pessoas que chegaram aos serviços de saúde com o ritmo cardíaco mais acelerado, maiores dificuldades respiratórias ou temperaturas mais elevadas, tiveram um risco agravado de necessitarem de tratamentos mais invasivos, como a ventilação mecânica, além de terem uma maior probabilidade de morrerem.
Em média, os doentes internados permaneceram cinco dias no hospital e, destes, 14% foram sujeitos a ventilação invasiva. Porém, com o avanço do ano (e do conhecimento), o recurso a este tipo de tratamento agressivo foi diminuindo.
Entre os doentes que exigiram cuidados hospitalares, 49% tinham outra doença associada, a mais comum foi a diabetes (25,9%). A doença pulmonar crónica, os problemas renais, a doença cardíaca ou a obesidade também são agravantes.
Em sentido contrário, os autores notam que a doença reumática e o sangue tipo AB podem ter um efeito protetor contra a infeção.
O estudo mostra, ainda, como o tratamento da doença evoluiu ao longo de 2020. Em maio, por exemplo, o número de pessoas medicadas com hidroxicloroquina era praticamente zero, visto já se ter comprovado a sua ineficácia. Já o uso de dexametasona aumentou no mês de junho, depois de várias investigações confirmarem o seu impacto na diminuição da mortalidade.
Os dados analisados foram recolhidos através da plataforma National COVID Cohort Collaborative Data Enclave (N3C), da responsabilidade do departamento de saúde norte-americano. E inclui pessoas que foram atendidas em 34 hospitais diferentes, entre janeiro e dezembro do ano passado.