A ativista por justiça climática Bianca Castro foi condenada a um ano e meio de prisão por ter plantado árvores no terreno do futuro aeroporto de Lisboa. Não contentes, ela e os amiguinhos, ainda puseram uma faixa, entre duas árvores, a dizer “aeroporto de Alcochete pró cacete” – que é das coisas mais criminosas que alguém pode dizer.
O que custa mais nisto é que a pena de prisão tenha sido suspensa, visto que nós não precisamos de criminosos desta estirpe cá fora. Que país somos nós, onde estes bandalhos acham que podem plantar sobreiros ao calhas, e não terem quaisquer consequências? E à falta de prisão efetiva, não seria mal pensado – e se calhar vou ser politicamente incorreto, como é apanágio de cronistas como eu – serem amarrados a um sobreiro e levarem umas chibatadas.
A Bianca fez um vídeo em que comparou a sua sentença com a de pedófilos, agressores de mulheres e outros que tais, em que todos tiveram penas semelhantes, todas também suspensas. É só uma vitimização patética da ativista, porque basta perguntar a qualquer pessoa do País, que nos dirá que prefere pedófilos e agressores de mulheres à solta do que estes terroristas que plantam árvores e se sentam em estradas quando as pessoas querem ir trabalhar.
Muitos – daqueles menos capacitados mentalmente – poderão argumentar que não deixa de ser irónico, que se tenha sabido desta pena numa altura em que a onda de calor em França matou 1000 pessoas, 50 delas por afogamento ao tentarem refrescar-se. Ou que o Infantino, presidente da FIFA, nas últimas duas semanas, teve uma pegada carbónica de jato privado que equivale às emissões anuais de 78 pessoas. Ou que as pessoas em Gaza, além do genocídio ainda em curso, estão agora desesperadas com o calor e falta de água. Ou que os bilionários isto, e as alterações climáticas aquilo, e é todo um rol de queixumes de gente que não quer que o mundo progrida.
E sim, sabemos que as ondas de calor também em Portugal estão cada vez mais longas e severas, e que vão matar cada vez mais gente, principalmente velhos e crianças. E não digo que não sejam mortes chatas, que eu também não sou completamente insensível. Mas queremos um mundo regido pelo capitalismo em esteroides e que tanta alegria tem trazido aos 10% mais ricos (mesmo que o resto esteja condenado a derreter e a afogar-se)? Ou queremos um mundo de bananas que se preocupa com a sustentabilidade do planeta e vida humana, mas prejudicando de forma radical e terrorista os lucros dos grandes negócios que nos governam? Nem me façam responder.
Acabo só com o regozijo que me deu, que este caso da Bianca não tenha sido notícia em lado nenhum. Nem um pio. Há dezenas de milhares de comentadores e criadores de conteúdo a falar do Ronaldo (o amigo do Trump e embaixador da Arábia Saudita), mas ninguém a falar de uma ativista ter sido condenada – pelo Tribunal Militar – por plantar árvores. E isto dá-me alento.
O futuro é nosso. Já não há muito, mas enquanto houver é nosso.
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