A esperança de vida das doentes com um diagnóstico destes são três a cinco anos, Cátia Delgado viveu seis. “Há quem tenha vivido mais onze”, contava há pouco mais de dois anos, quando acedeu a dar a cara pelas mulheres que recebem um diagnóstico tão avassalador como o seu. “No cancro da mama com metástases não há ânimo que se valha de lacinhos cor de rosa, porque não há finais felizes”, sublinhava.
Licenciada em Direito, tinha 30 anos e trabalhava no Tribunal de Família em Lisboa quando soube que tinha um cancro daqueles: dos que já se tinham espalhado e iam aparecer em outras zonas do corpo, dos ossos ao cérebro ou ao pulmão e que nunca ia desaparecer de vez. Ainda assim, nunca quis que tivessem pena dela – nem que fizessem dela uma guerreira.
“Não estou em guerra com nada. Sei que não vai correr tudo bem, mas, enquanto houver tratamento, uma pessoa tem de viver. Apenas tento conviver com este cancro o melhor possível”
Numa entrevista intimista, aceitou contar ao detalhe aquilo em que a sua vida se havia tornado. “Costumo dizer que há uma Cátia A.C. e uma Cátia D.C.: antes do Cancro e Depois do Cancro”, um trocadilho que a ajudava a sorrir.
Mas nem por isso deixava de endurecer o tom, quando entendia ser preciso: “Somos uma espécie de parente pobre do cancro, somos as que não aparecem nas notícias. Normalmente, as pessoas dizem: ‘Vais-te safar, já não se morre de cancro de mama. Ou, ‘vai correr tudo bem’. E eu digo: não, não vai correr tudo bem. Porque não tem cura.”