Caro leitor, procure recordar-se como iniciou este seu passeio pela Internet. Provavelmente sentou-se, ajustou a cadeira ao seu conforto, utilizou o seu rato ou o seu teclado para se dirigir a este espaço de opinião, e começou a sua leitura, talvez ainda acompanhado de uma chávena de chá ou café.
Agora junte-se a mim num exercício. Apenas nos pequenos passos que precederam e que acompanham a sua leitura, tente reparar na quantidade de plástico com que interagiu. O teclado, o rato, o monitor, provavelmente a cadeira onde se sentou, a sola dos seus sapatos, a máquina de café ou a chaleira elétrica, talvez a película que embalava os pacotes de chá ou as cápsulas de café. É incontornável, o plástico faz parte da nossa vida e veio, aparentemente, para ficar.
O plástico tornou-se presente em quase tudo, dado que pode ser moldado em qualquer forma, ser flexível ou incrivelmente resistente. E a verdade é que trouxe muito de positivo ao nosso conforto e estilo de vida. Mas também lhe emprestou uma certa aura descartável.
Por ser uma matéria-prima de fácil obtenção e permitir a produção em massa de objetos, o plástico baixou o custo de muitas das coisas que utilizamos, mas baixou também a sua durabilidade. Devido ao plástico permitimo-nos usar e deitar fora toda uma miríade de itens que fazem parte da nossa vida diária, ou mesmo utilizá-lo de forma desnecessária. Desde aparelhos de barbear de uso único, a garrafas de água, ao saco do semanário que lemos, ao invólucro de um DVD ou revista. Basta-nos pensar, depois do lixo orgânico, qual dos ecopontos que temos em casa mais rapidamente tem que ser esvaziado. Vivemos embalados em plástico.
E ainda que seja verdade que os Portugueses já estão bastante mais sensibilizados para a necessidade de separação do lixo, a verdade é que não só nem todo o plástico vai parar aos ecopontos, como grande parte do que para lá é enviado não é reciclável. Ainda não existe a preocupação, por parte dos fabricantes, em assegurar que, no seu fim de vida, determinado objeto é reciclável. Um só objeto pode conter vários tipos de plástico, o que faz com que este não possa ser reciclado, acabando muitas vezes por ir para o aterro sanitário. E se pensarmos, de acordo com dados da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, que certos plásticos podem demorar mais de 700 anos a decompor-se quando enterrados, estamos apenas a esconder um problema.
Para além disso, e como já foi mencionado, nem todo o plástico vai parar ao ecoponto, ou mesmo ao lixo. Segundo a mesma fonte, em certas zonas dos oceanos (e.g. Oceano Pacífico ou Oceano Atlântico), existem cerca de 46 mil pedaços de plástico por cada 1,5 quilómetros quadrados de oceano. Pedaços que, por vezes, são confundidos com alimento por alguns peixes; plástico que acaba por vir parar à nossa cadeia alimentar.
Qual é a solução? Não sei. Eu próprio ainda me digladio com a quantidade de plástico que não consigo evitar que entre no meu dia-a-dia. Talvez olhar para o primeiro dos três “R” seja uma boa ideia – Reduzir. Evitemos o plástico que identificarmos como desnecessário nas nossas vidas. Requer imaginação e dedicação, mas é possível ir ganhando terreno.
Não tenho a pretensão de, com apenas punhado de ideias, mudar todo um estilo de vida. Eu próprio ainda tenho muito caminho para percorrer. Procurei apenas deixar aqui uma ideia que convidasse à reflexão e, porque não, a alguma redução.
Deixo-o agora a inventariar o plástico que o rodeia, talvez refletindo sobre este texto, escrito para si com a ajuda de um teclado… de plástico.