Considera-se “mudança religiosa” a transição entre o grupo religioso originário da infância do indivíduo, no qual foi criado, e a identidade que agora reivindica em idade adulta. Os investigadores evitaram utilizar o termo “conversão” visto que a mudança religiosa pode suceder em diversas direções, desde ter sido instruído numa religião ou sem qualquer filiação religiosa, mas também porque pode não ter havido nesse processo qualquer iniciação numa dada religião.
No estudo do Pew Research Center foi verificada a transição para o catolicismo, a transição para o protestantismo e a mudança entre esses dois grupos. Vejamos alguns exemplos. Pode acontecer que alguém que foi criado na fé católica se identifique atualmente como protestante. Que quem nasceu num meio protestante, seja agora ateu, agnóstico ou “sem religião”. Ou até que alguém que cresceu no budismo se identifique como católico.
Em metade dos países que foram objeto de estudo, a maioria da população foi criada na fé católica, em valores que variam entre os 59% na Hungria e os 96% na Polónia. No caso polaco, 92% dos adultos mantêm-se católicos, mas em 15 países cerca de 10% abandonaram a igreja.
Por outro lado, poucos adultos nos países analisados aderiram ao catolicismo depois de terem sido criados noutra fé ou sem religião definida. Na maior parte dos países, o número de pessoas que abandonaram o catolicismo na infância é maior do que o número de pessoas que se converteram.
A tendência dos indivíduos que abandonam o catolicismo é que se virem para o protestantismo ou se desvinculem da religião. O desligamento religioso é especialmente comum em partes da Europa e da América Latina. Isso inclui o Chile, onde 19% dos adultos são ex-católicos que agora se identificam como ateus, agnósticos ou “sem religião”. Mas no Quénia, Brasil, Gana, Nigéria e Filipinas, os ex-católicos têm maior probabilidade de se converterem ao protestantismo do que de se tornarem “sem religião”.
Apesar das perdas decorrentes da conversão religiosa, os católicos ainda constituem a maioria da população em oito dos 24 locais estudados. A Polónia tem a maior proporção de católicos (92%), seguida pelas Filipinas (80%) e pela Itália (69%).
Em nove desses 24 países, os ex-protestantes representam 10% ou mais da população, mas há diversos países onde houve mais adesões ao protestantismo do que perdas, o que se traduziu num ganho líquido, como na América Latina. “Por exemplo, mais brasileiros aderiram ao protestantismo depois de terem sido criados fora dessa fé (15%) do que aqueles que abandonaram o protestantismo (6%). Isso resultou num ganho líquido de 9 pontos devido à mudança de religião. A maioria dos brasileiros que se converteram ao protestantismo são ex-católicos.”
Já os adultos que abandonam o protestantismo tendem perder a filiação religiosa. É o caso de 15% dos ex-protestantes australianos que agora não se identificam com nenhuma religião, e poucos são atualmente católicos (1%) ou membros de outras religiões (1%). Na maioria dos países analisados os protestantes representam não mais do que cerca de um quarto da população total. Mas são maioria no Gana (62%) e no Quénia (55%).
Segundo aquele centro de pesquisas: “Dentro do cristianismo, porém, a mudança de religião afetou os dois maiores subgrupos – o catolicismo e o protestantismo – de maneiras diferentes. Enquanto o catolicismo perdeu mais fiéis do que ganhou em quase todos os países pesquisados, o protestantismo registou um saldo positivo, apesar de algumas perdas.”
Estes movimentos de transumância religiosa mereciam ser melhor estudados, para se entender até que ponto a dinâmica política, a atuação das instituições religiosas e o desempenho dos seus líderes estarão ou não na sua base.
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