É urgente identificar os fatores de risco que levam adolescentes a passar de comportamentos autolesivos para tentativas de suicídio. Atos como cortar a pele, bater com a cabeça na parede ou provocar queimaduras são, muitas vezes, a única forma que alguns jovens encontram para lidar com dores emocionais intensas. Esse fenómeno, chamado Comportamento Autolesivo Não Suicidário (CANS) está a tornar-se cada vez mais comum entre crianças e adolescentes e é um problema de saúde pública. Pesquisas mostram que o CANS é um dos principais sinais de risco para tentativas futuras de suicídio. O grande desafio é entender em que momento um comportamento que busca aliviar a dor emocional pode transformar-se em uma tentativa de suicídio.
O CANS ocorre quando a pessoa causa danos intencionalmente ao próprio corpo, sem querer tirar a própria vida. Esses comportamentos não são apenas um “grito de atenção”. Para o jovem, podem ajudar a controlar emoções muito intensas, aliviar a ansiedade, combater sentimentos de vazio ou dissociação, ou servir como autopunição por culpa ou baixa autoestima.
É importante compreender que o autoferimento, apesar de suas consequências, representa uma forma de sobrevivência. Trata-se de um método inadequado de lidar com uma dor psicológica percebida pelo jovem como insuportável e incontrolável.
Por muito tempo, discutiu-se se os comportamentos autolesivos sem intenção de suicídio e os comportamentos suicidas eram coisas diferentes. Hoje, a maioria dos especialistas acredita que eles fazem parte do mesmo processo de desenvolvimento psicológico.
Não se deve tratar esses comportamentos como fenómenos isolados. Os dados indicam que muitos jovens que iniciam com CANS podem, ao longo do tempo, desenvolver pensamentos suicidas e, posteriormente, tentar o suicídio. Entender esse processo é essencial para prevenir, pois permite agir antes que o risco aumente.
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