“(…) o terror que temos/ de certos encontros de acaso/ porque deixamos de saber dos outros/ coisas tão elementares/ o próprio nome”
(de um poema de José Tolentino Mendonça)
Acredito que é possível ter mais próximo os corações, através de uma língua comum. Ver na altura desesperada do azul retratos de crianças e adolescentes como espelho de um desejo de saber dos outros, conhecê-los nas coisas mais elementares. Ser verdadeiro. Perguntar: qual é o teu nome? E esperar a singularidade da resposta que revela uma identidade em que nos damos a conhecer. Reciprocamente. É pelos encontros de acaso que nos tornamos gente: percebemos que não estamos sós, que diante do sofrimento somos muito mais próximos do que jamais pensamos. Varremos distâncias, derrubamos muros, vencemos o terror de certas noites trazendo para seu lado manhãs de esperança. Luz plena, calor de proximidade. A revelação de pequenos segredos que nos tornam humanos, conversas surpreendentemente escolares.