A última grande surpresa irrompeu subitamente há dois anos. Apanhou o planeta desprevenido e ainda hoje vamos aprendendo a lidar com o vírus que descompôs o mundo económico e social que conhecíamos. O impacto atingiu todos os sectores, ou quase todos, certamente com o do Turismo no pódio dos sofredores. O mercado do Turismo Residencial e Resorts não escapou ao choque. Mas a crise, que no segundo trimestre de 2020 ainda se julgava passageira, prolongou-se e transformou a procura de imobiliário turístico residencial.
De um dia para o outro, o mundo mudou, Portugal confinou e um milhão de casas tiveram de disponibilizar espaços de trabalho (e também salas de aulas e ginásios!) e de prepararem-se para acomodar os seus habitantes, e muitas vezes outros familiares, 24 horas por dia e 7 dias por semana.
Segundo os resultados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística acerca do Inquérito ao Emprego sobre o tema “Trabalho a partir de casa”, perto de 1,1 milhões de pessoas trabalharam em casa, sempre ou quase sempre, durante o 2º trimestre de 2020. E deste grupo, 998.500 (91,2%) indicaram como principal e única razão a pandemia COVID-19.
Espaço e conforto interiores, escritórios em casa, privacidade, segurança, conetividade, serviços de apoio e proximidade com a natureza são critérios que se vincaram como normais. Os resorts portugueses, que há décadas respondem a estes preceitos com um produto imobiliário validado pelos mais exigentes padrões internacionais, tornaram-se alvo de substancial acréscimo da procura. Aos tradicionais clientes que ocupavam as suas casas por algum tempo, rentabilizando-as ou não no resto do ano, juntam-se agora os muitos que as têm como residência principal e centro de um novo estilo de vida que a pandemia veio sugerir e permitir. O novo paradigma apela a pessoas de cada vez mais nacionalidades incluindo a portuguesa, cuja proporção é a que mais tem crescido. E é previsível que toda a nova procura encontre oferta bastante, eliminado o risco de bolha ou de distorção de preços. Em finais de 2019 estimava-se o investimento em projetos turísticos residenciais em 1,2 mil milhões de euros a 5 anos, e esse investimento não parou com a crise sanitária. A oferta continua saudável e a crescer em quantidade, qualidade, diversidade e dispersão geográfica.
Também do ponto de vista económico, os ventos correm de feição para particulares com economias ou com necessidade de mudar de casa. Com a pandemia e largas injeções de liquidez nos mercados pelo BCE, têm subido as disponibilidades financeiras, mas também a valorização bolsista (e, portanto, o preço de entrada) e a inflação, continuando a descer a já negativa remuneração dos depósitos e as taxas de juro do crédito à habitação. Efeitos que tornam o investimento em imobiliário preferível para quem pode escolher e acessível para quem precisa de casa nova. Em especial tratando-se de imobiliário turístico residencial como o dos resorts portugueses: asseguram padrões de construção, design, habitabilidade e manutenção de classe mundial, respondem com distinção aos novos requisitos pós-pandémicos de habitação e ainda garantem em muitos casos a rendibilização do imóvel quando não está ocupado.
Uma crise que não termine em bonança e se torne permanente é um novo normal ao que temos de nos adaptar. É o que acontece desde finais de 2020. Enquanto compradores particulares consolidam novos critérios de investimento em imobiliário turístico para residência temporária ou permanente, os promotores nacionais investem e apresentam produto consagrado nos mercados internacionais especialmente ajustado às novas prioridades e aos novos clientes. E o contexto económico vai sendo favorável ao crescimento de ambos.
A partir do último trimestre de 2020, após a surpresa inicial, despontou uma oportunidade que cresceu durante todo o ano de 2021 e que, neste início de 2022, ainda não deu nenhum sinal de abrandamento. O novo ano começa e prevê-se sem surpresas, felizmente.