O chinfrim era conhecido por ser o animal mais facilmente irritável daquela selva interior. Por isso ninguém gostava de jogar dominó ou à batalha naval com ele, porque o chinfrim tinha mau perder, e quando se irritava guinchava tão alto que os animais da selva tinham de pôr auscultadores e ouvir um CD do António Calvário.
Um dia, o rei lumba-lumba, animal de 5 toneladas de peso, bom feitio e sensatez, decidiu ter uma conversa de pé de orelha com o estridente súbdito. Disse-lhe, “o teu problema é seres hiperactivo e facilmente irritável, por isso é melhor mudares de dieta, deixas o red bull que tem muita estriquinina e passas a beber chá de jasmim, para acalmares”.
O rei lumba-lumba disse-lhe isto em tom cordial, quase paternal, mas o chinfrim, que era muito dono do seu nariz, ia já começar a barafustar e a chinfrinar. Precavido, o rei lumba-lumba deu-lhe uma real lumbada que o virou o chinfrim do avesso, deixando-o a dormir durante dois meses.
O rei virou-se para os seus súbditos e declarou em tom majestático: – Primeiro a diplomacia e depois a lumbada!
Os animais radiantes aplaudiram o seu monarca, porque agora já se podiam entregar livremente à batotice no dominó.
Quando acordou, o chinfrim passou a irritar-se menos, e quando o fazia, guinchava baixinho para não levar outra lumbada.
Daqui se vê que por vezes a lumbada é um recurso necessário à boa educação e à paz da selva.