Por: Fernando Correia de Oliveira
O vocábulo ‘calendário’ deriva do latim, calendae, ou calendas, o primeiro dia de cada mês, assim chamado por nessa ocasião o pontífice convocar (calare) o povo de Roma para o Capitólio, onde oferecia sacrifícios a Juno e anunciava os dias da lua nova e das nonas.
A Península Ibérica, sob domínio de Roma, adotou o calendário romano, com as várias reformas que ele sofreu, nomeadamente a decretada em meados do século I pelo imperador Júlio César (calendário juliano). Dados os desacertos entre o calendário estipulado pelos homens e os movimentos reais ou aparentes dos astros, chegou-se a alturas insustentáveis para o bom governo das sociedades. Foi, como já referimos anteriormente, o caso ocorrido em 1582, quando o papa Gregório XIII, pela bula Inter gravíssimas, de 24 de fevereiro desse ano, mandou contar como 15 de outubro o dia seguinte a 4 deste mês, para suprimir os dez dias que o ano do calendário dos homens já tinha em relação ao real posicionamento de estrelas e planetas.
A reforma gregoriana foi adotada desde logo por Portugal, Espanha e alguns dos estados italianos. Só em 1700 os protestantes alemães e holandeses aderiram a este calendário; os japoneses fizeram-no em 1873, a China em 1912 e a Rússia em 1918 (a propósito, a Revolução de Outubro de 1917, no calendário juliano, ocorreu na verdade em Novembro, no calendário gregoriano). A Grécia e as igrejas ortodoxas apenas aderiram em 1923 a um calendário que é hoje praticamente universal.
Até ao início do século IV, as comunidades cristãs limitavam-se a anotar as festas e principais acontecimentos religiosos no calendário romano vigente. Mas, a pouco e pouco, começaram a organizar calendários próprios…
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