Nem sempre o contexto em que nasce vaticina a sorte de uma marca. O Piscapisca.pt está aí, de boa saúde – e a crescer – para o comprovar. Lançado no dia 2 de Março de 2020, a data que ficou marcada pelo surgimento do primeiro caso de Covid-19 em Portugal, o Pisca Pisca nunca conheceu outro enquadramento que não o de pandemia. “O desafio foi entrar no mercado numa altura em que os nossos parceiros profissionais – os stands – estavam numa altura de muita incerteza. Ninguém sabia como ia ser o primeiro confinamento, mas nós achámos que fazia sentido lançar, até porque já achávamos que o digital ia ter um papel preponderante, olhando para os exemplos dos outros países, que já estavam a confinar e a fechar setores”, recorda Paulo Figueiredo, diretor do Pisca Pisca.
O projeto, criado pelo Banco Credibom – líder no financiamento de automóveis usados – foi pensado na lógica de apoiar o setor e o mercado. “O nosso mercado tem grandes grupos, mas depois é muito assente em PMEs. Queríamos garantir que esse tecido empresarial, no geral muito pouco digitalizado, tinha as ferramentas necessárias para continuar a expandir o seu negócio. No fundo é juntar ao ecossistema do financiamento, o ecossistema de ter uma ‘montra digital’ que ajuda à venda e a trabalhar o stock, que faz também aconselhamento”, adianta. Para isso, uniram esforços com a APDCA – a Associação Portuguesa do Comércio Automóvel –, que representa os comerciantes dos usados, conscientes de que esta atividade se encontra numa fase de grandes mudanças, depois de ouvirem os inputs dos profissionais da área, contruírem uma plataforma útil a todos. “Tínhamos este objetivo distintivo de trabalhar com e para os profissionais”, conta Paulo Figueiredo.

O resultado foi uma plataforma de compra e venda de automóveis usados, simples e intuitiva, acessível a todos, quer entendam ou não de carros, orientada para as necessidades do comprador. “Seja porque a família aumentou e precisa de um carro familiar, seja porque pratica surf e tem de ter espaço para as pranchas… Temos um quiz em que, através da resposta a 5 perguntas muito básicas, traçamos um perfil do condutor e recomendamos um conjunto de carros que se adequam a esse perfil. Isto do lado do comprador. Do lado do profissional, quisemos trabalhar o lado da confiança e da segurança, que é o nosso eixo diferenciador. O setor do comércio de carros usados foi por vezes associado a uma imagem negativa. É aquela velha história: ‘vou comprar um carro usado, o melhor é levar um mecânico amigo para não me passarem a perna’. O nosso foco foi trabalhar certos fatores que permitiram alavancar a confiança. Por exemplo: não termos no site carros com informações erradas; não termos fotos que não correspondem ao modelo em questão. O profissional, para colocar um determinado carro à venda no Pisca Pisca, tem de o inserir por matrícula. Logo, a partir daí, sabemos que o carro de facto existe e quais as suas características técnicas. Para que, no fim de contas, se perceba que comprar um carro usado pode ser seguro, simples e fácil”, explica o diretor do Pisca Pisca.
A adesão, tanto do público como dos profissionais, foi imediata. Um ano depois, o balanço é positivo. A equipa não pára de crescer e os níveis de notoriedade também. “Em Fevereiro passámos a ser a plataforma que tem mais carros anunciados, um sinal de confiança que o setor tem no projeto e um sinal também de que a aposta no digital foi acertada em tempo de pandemia”.

A pandemia certa na hora certa
“O covid foi o maior transformador digital das empresas. 2020, o mercado de carros novos sentiu um impacto gigantesco nas vendas. O mercado de usados nem por isso, por causa do medo. Todos os avanços que se fizeram de mobilidade partilhada, de carsharing, Uber, tudo isso parou. E passámos a ter pessoas que nevegavam no site porque precisavam de comprar carro, pois não iam voltar a fazer o trajeto que faziam em transportes públicos.
Esta pandemia veio criar novos hábitos nas pessoas. O paradigma da compra mudou: neste momento temos parceiros que entregam os carros em casa. A pesquisa é feita online, a pessoa escolhe, compra, trata do financiamento e paga o carro online. Mas recebe o carro em casa. É nessa altura que faz o test-drive, porque, como na compra de qualquer outro produto, tem 14 dias para devolver caso não esteja satisfeito”, adianta ainda o responsável.

Novidades a chegar
Com tanta inovação, o Piscapisca.pt ainda tem cartas na manga? “Tem! No próximo mês daremos daremos o nosso passo mais importante, que é o lançamento – também em parceria com a APDCA – do programa de certificação de carros usados. Ou seja, ao encontrar um carro no Piscapisca.pt, este poderá estar certificado por uma entidade independente que faz inspeções aos veículos e faz um relatório técnico. E assim o eixo da certificação fica completo: certificamos os vendedores e os carros. Ou seja, transparência total. Além disso, temos outra ideia em desenvolvimento: estamos a trabalhar num sistema de rating de parceiros. Um pouco como um tripadvisor ou airbnb dos carros usados. É uma ferramenta que vamos implementar e que vai pesar bastante na qualidade do serviço prestado. Um parceiro com rating de cinco estrelas atrai mais negócio. Ganham todos, vendedor e comprador”, conclui.
A força de uma campanha
Para o sucesso do Piscapisca.pt foi grande o contributo da campanha de lançamento, focada num spot televisivo muito alegre e colorido, ao som do principal êxito da cantora popular Ruth Marlene, “Pisca Pisca”, que colocou de imediato as famílias portuguesas a entoar a canção. “A campanha foi fabulosa e criou o awareness que precisávamos. Em apenas 7 semanas, atingimos 70% de notoriedade espontânea, que era algo que não esperávamos. O Pisca Pisca tem a frescura de, em tempo de confinamento, levar um pouco de alegria a casa das pessoas. Se pensarmos bem, uma campanha de uma plataforma online para compra e venda de carros usados não tem de ser cinzenta, sizuda, aborrecida. Tenho a certeza que daqui a 10, 15 anos, nos vamos lembrar deste lançamento e desta parceria. Assim como faz muito sentido a parceria que acabamos de celebrar com o nosso novo embaixador, o António Félix da Costa, com quem estamos a trabalhar outro eixo, o da parte dos veículos eléctricos. O António também representa, de certa forma, os atributos da marca. É jovem, começou na Fórmula 1, teve um percalço, não desistiu e foi campeão do mundo. É uma ligação natural. Ele era um challenger que foi campeão do mundo. Nós somos o challenger do mercado – um dia seremos campeões”.
(c) Fotografia Gonçalo F. Santos
Agradecimentos ao Circuito Estoril