Imagine a cena, porque é provável que já a tenha vivido. No supermercado, uma mulher vira a embalagem e lê a lista de ingredientes com atenção. Procura aquilo que aprendeu a temer: os E seguidos de números, os conservantes, a palavra comprida que não reconhece. Hesita, pousa, escolhe outra marca. Em casa, lava o frango no lava-loiça, como sempre fez e como viu fazer. Corta-o e, sem lavar a tábua nem a faca, prepara ali a alface que vai crua para a mesa. Ao jantar sobra arroz; a panela fica em cima do fogão, tapada, até ao dia seguinte.
Nenhum destes três gestos lhe pareceu um risco. O único momento em que pensou em segurança alimentar foi diante do rótulo.
