Ninguém me tira a ideia da cabeça: isto parece mesmo estar tudo ligado. Na semana em que o tema dos telemóveis nas escolas voltou à baila, com o Governo a admitir a sua proibição nos recreios dos alunos mais novos, depois de no mês passado o Parlamento ter chumbado uma proposta do Bloco de Esquerda e outra do PAN nesse sentido, um estudo da OCDE, que incidiu sobre 31 países, põe-nos no fim da linha da literacia, da numeracia e da resolução de problemas – nesta matéria, ficamos apenas à frente do Chile.
As conclusões são todas assustadoras. Mas há uma que, a meu ver, se relaciona especialmente com a nossa dependência dos ecrãs. Cerca de metade dos portugueses, entre os 16 e os 65 anos, só consegue compreender textos simples. Habituámo-nos a ler pouco, substituímos – quase todos, novos e velhos – os livros e as notícias dos jornais por pequenos parágrafos em telemóveis que nos resumem a realidade, fazendo com que o nosso foco se disperse automaticamente quando as linhas se adensam num papel ou até mesmo online. O mesmo se passa com os números, claro.