Lembra-se de quando os homens eram de Marte e as mulheres de Vénus? Esta expressão que deu o título ao best-seller de John Gray, publicado em 1992 e ainda hoje considerado “a bíblia das relações”, está carregadinha de mitos, preconceitos e idiotices. Os homens, esses guerreiros do deus da guerra, da agricultura e da proteção. As mulheres, essas ninfas filhas de Vénus, deusa do amor, da beleza e da fertilidade.
A forma como homens e mulheres reagem ao stresse e às discussões dentro das relações é analisada pelo terapeuta familiar norte-americano à luz de uma série de estereótipos que a neurociência moderna não se cansa de desmentir. A ideia, por exemplo, de que há uma natureza distinta, que é imutável segundo o género, de processar as emoções. Os homens seriam mais o “tipo silencioso”, que se isola para gerir as emoções, enquanto as mulheres aparecem representadas como mais carentes, que se estabilizam através do diálogo com o outro.