O equilíbrio é uma capacidade física que tem sido objeto de estudo pela sua relevância na previsão do estado geral de saúde e risco de mortalidade. Entre os vários testes físicos utilizados para avaliar o equilíbrio, destaco o teste de equilíbrio numa só perna, também conhecido como o “teste do flamingo”. Estudos revelam que este teste, de fácil execução, apresenta uma forte correlação com a idade e pode fornecer informações valiosas sobre o processo de envelhecimento e o potencial de anos de vida.
O envelhecimento humano não ocorre de forma linear e constante. Estudos recentes demonstram que existem períodos da vida em que este processo se intensifica, nomeadamente entre os 44 e os 60 anos, devido a alterações moleculares associadas ao metabolismo dos lípidos e hidratos de carbono, à perda de imunidade e à maior frequência de processos inflamatórios (Shen et al., 2024). Este entendimento permite encarar o envelhecimento como uma sucessão de transições biológicas dinâmicas e não apenas como
um declínio progressivo.
Uma das manifestações mais visíveis do envelhecimento é a diminuição da força muscular. No entanto, quando comparado com esta variável, o equilíbrio, avaliado pela capacidade de permanecer em pé numa só perna, revela-se um preditor ainda mais eficaz da idade biológica (Rezaei et al., 2024). Estima-se que a duração média de permanência em equilíbrio numa só perna diminui 2,2 segundos por década no lado não dominante e 1,7 segundos no lado dominante.
Mais do que um indicador de envelhecimento, o “teste do flamingo” também tem vindo a ser associado ao risco de morte prematura. Pessoas de meia idade ou mais velhos que não conseguem manter-se em equilíbrio durante 10 segundos numa só perna apresentam um risco de mortalidade 84% superior nos sete anos seguintes, comparativamente com aqueles que conseguem (Araújo et al., 2022).
Adicionalmente, uma capacidade de equilíbrio reduzida está fortemente associada ao risco de quedas, que constituem a segunda principal causa de morte acidental no mundo, a seguir aos acidentes rodoviários (OMS, 2021). Em populações idosas, mesmo pequenas quedas podem ter consequências graves, uma vez que a recuperação é dificultada pela fragilidade física, podendo desencadear uma sequência de complicações que culminam em morte prematura.
O “teste do flamingo” pode ser facilmente realizado. A partir da posição bípede, o executante apoia-se no pé não dominante, coloca as mãos na cintura e fecha os olhos (nota importante: por motivos de segurança faça o teste acompanhado). Os valores de referência variam consoante a idade (ver a tabela final). Por exemplo, pessoas com menos de 40 anos deverão manter-se em equilíbrio por pelo menos 43 segundos, enquanto pessoas com mais de 80 anos deverão conseguir alcançar 5 segundos.
A capacidade de manutenção do equilíbrio numa só perna reflete não apenas o equilíbrio propriamente dito, mas também a força muscular, coordenação e a integridade neuromuscular. A American Heart Association (2024) reconhece a importância do treino de equilíbrio como complemento ao desenvolvimento da força muscular, ajudando igualmente na recuperação de lesões e na melhoria do controlo postural. Assim, o “teste do flamingo”, apesar da sua simplicidade, revela-se um poderoso indicador de saúde global e um instrumento valioso na monitorização do envelhecimento e da qualidade de vida ao longo do tempo.

Bibliografia
American Heart Association. (2024). Balance exercise. https://www.heart.org/en/healthyliving/fitness/fitness-basics/balance-exercise
Araujo, C. G., de Souza e Silva, C. G., Laukkanen, J. A., et al. (2022). Successful 10-second one-legged stance performance predicts survival in middle-aged and older individuals. British Journal of Sports Medicine, 56, 975–980. https://doi.org/10.1136/bjsports-2021-105360
Hogan, E. (2025). The Flamingo Test: Could it help lengthen your life? Les Mills. https://www.lesmills.com/fit-planet/fitness/how-to-better-your-balance/
Organização Mundial da Saúde. (2021). Falls. https://www.who.int/news-room/factsheets/detail/falls
Rezaei, A., Bhat, S. G., Cheng, C.-H., Pignolo, R. J., Lu, L., & Kaufman, K. R. (2024). Agerelated changes in gait, balance, and strength parameters: A cross-sectional study. PLoS ONE, 19(10), e0310764. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0310764
Shen, X., Wang, C., Zhou, X., et al. (2024). Nonlinear dynamics of multi-omics profiles during human aging. Nature Aging, 4, 1619–1634. https://doi.org/10.1038/s43587-024-00692-2
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