A CEPSA – que a VISÃO Solidária e o Montepio escolheram para receber a distinção de Empresa do Ano, no âmbito do prémio Os Nossos Heróis 2014 – entregou, na última sexta-feira, dia 30, os seus próprios prémios solidários, destinados a melhorar a qualidade de vida de pessoas socialmente vulneráveis.
A entrega oficial dos Prémios ao Valor Social, estabelecidos em Portugal desde 2008, realizou-se na Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, em Lisboa. No meio de 70 candidaturas das mais variadas associações apadrinhadas por membros da CEPSA, apenas três vencedores levaram para ‘casa’ 10 mil euros para ajudar a desenvolver o seu projeto.
“Mais do que prémios de doações, isto é uma aproximação do que é a nossa gente, da CEPSA, àquilo que são as ONG. [As instituições] Tocam em vários pontos daquilo que sentimos em sociedade, dos problemas que não temos capacidade de resolver, mas sentimo-nos bem em fazer parte da solução”, diz Ricardo Hermenegildo, diretor de Marketing e Comunicação da CEPSA, à VISÃO Solidária.
Com um júri composto por quatro elementos da CEPSA (Carla Félix, Carla Fonseca, Marisa Silva e Pedro Ferreira da Silva) e uma presidente convidada (Conceição Zagalo), Hermenegildo revela ter tido “uma sorte incrível” com a reunião desta equipa.
Após a análise de todas as candidaturas, foram revelados os resultados. O primeiro vencedor foi o “Atelier dos 3 Ofícios”, projeto desenvolvido pela Associação Sócio-terapêutica de Almeida. Consiste na criação de uma oficina de tratamento e transformação da lã, onde os utentes contam com apoio pedagógico, terapêutico e ecológico, de forma “dar a estas pessoas consideradas sem valor, vida e esperança, onde já não havia esperança”, como explicou Maria José Dinis Fonseca, fundadora da ASTA.
Nascida há 15 anos na aldeia natal de Maria José, a ASTA deu os primeiros passos na recuperação de casas velhas e abandonadas e, ao longo desta década e meia, o projeto foi crescendo, tendo sempre como objetivo “integrar, apoiar, e acompanhar pessoas com deficiência, de forma a terem uma vida mais digna, com mais sentido”, afirmou a fundadora. “Chegou a hora de ter mais um espaço, o atelier é um sítio maravilhoso em termos terapêuticos e pedagógicos. Por ser tão benéfico, precisávamos ampliar. Felizmente a CEPSA apareceu e temos agora esta oportunidade.” rematou.
Relativamente ao futuro, Maria José confessou que a ideia é continuar a recuperar espaços para receber pessoas necessitadas, para dar continuidade à construção de uma comunidade socio-terapêutica.
O vencedor seguinte decidiu transformar uma escola abandonada numa padaria, uma iniciativa intitulada “Padaria Social”, apresentada pela Associação de Apoio a Idosos e Jovens da Freguesia de Meca, em Alenquer, que pretende integrar social e profissionalmente 300 utentes com deficiências.
“Acima de tudo, era um sonho que tínhamos e que, graças à CEPSA, conseguiremos meter em prática,” afirmou o diretor técnico Nelson Ferreira. “Vamos trabalhar todos os dias para tentar alargar o número de respostas sociais que a instituição neste momento representa,” acrescentou.
A Associação Casa da Mãe, do Funchal, também chamou a atenção do júri. Aqui, o objetivo é construir um centro de acolhimento temporário para grávidas e jovens mães em situações de risco. Depois de acolhidas, o passo seguinte é ajudá-las a integrar-se no mercado de trabalho, realizando trabalho doméstico, mas com “os direitos das trabalhadoras a serem cumpridos de acordo com a lei”, esclareceu Ana Mafalda Costa, presidente da Casa da Mãe. Aquando da receção do prémio, confessou-se emocionada. “É um reconhecimento pelo trabalho feito.”
Agora, os três vencedores vão ser acompanhados mensalmente e têm o prazo de um ano para levar a cabo o seu projeto e pôr em prática a premissa apresentada por Conceição Zagalo, presidente da Assembleia-Geral do Grace: “Todos juntos valemos bem mais do que cada um de nós.”