O ataque dos EUA e de Israel ao Irão, a 28 de fevereiro, não provocou apenas o caos no Médio Oriente e o alarme na economia mundial – iniciou também uma nova era na forma de fazer a guerra, com a entrada em força da Inteligência Artificial no painel de comando e a utilização massiva de equipamentos semiautónomos, com capacidade de ataque. No entanto, alguns dos factos já registados nos campos de batalha representam também um regresso a 1984, e ao choque então produzido pelo filme Exterminador Implacável, que contava o que acontecia depois de uma rede de defesa militar baseada em IA e em robots ganhar consciência e decidir que os humanos são uma ameaça, que precisam de ser exterminados.

A ficção científica começa a tornar-se realidade, quatro décadas depois, quando vemos as armas disparadas a longa distância a atingirem alvos iranianos com uma precisão que desafia a compreensão humana. Os dados são conhecidos: nas primeiras 24 horas do conflito no Irão, que apanhou grande parte do mundo de surpresa, o sistema Maven da empresa Palantir, integrado com a Inteligência Artificial Claude da Anthropic, ajudou a identificar e a atingir – a uma velocidade que nenhum analista humano poderia igualar − mais de mil alvos. Ou seja, cerca do dobro do que se tinha registado nos quatro dias da célebre e intensa campanha de bombardeamento Choque e Pavor, com que os EUA iniciaram, em 2003, a invasão do Iraque, com vista ao derrube de Saddam Hussein.
