Muito vento, coisas a voar, pessoas a deitarem-se no chão. Do alto dos autocarros da JJ Express é como se os turistas e os birmaneses endinheirados estivessem num primeiro andar, com as vistas a contribuírem para a viagem feliz prometida pelos dois jotas de joyous journey. Júlia Silva tinha escolhido um lugar à janela e estava entretida a observar as lojinhas da beira da estrada quando viu o terramoto. É assim mesmo que ela conta: “Eu não senti o terramoto, eu vi o terramoto.”
A viajante portuguesa saíra de Mandalay um dia mais cedo do que planeara inicialmente, rumo a Nyaungshwe, a pequena cidade de entrada no Inle Lake, onde esperava encontrar menos calor do que na antiga capital imperial. A região do grande lago, famosa pelas suas aldeias flutuantes e pelos pescadores equilibristas que usam uma perna para remar, ia ser a última etapa de quase três semanas em Myanmar (antiga Birmânia).

