Até agora, estudos referiam que os homens se orientavam naturalmente melhor relativamente às mulheres devido à evolução, uma vez que, historicamente, eram eles que viajavam para longe de casa para trabalhar, enquanto as mulheres ficavam em casa.
Um novo estudo, realizado por investigadores da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, nos EUA, vem intensificar a ideia de que os homens se orientam melhor do que as mulheres mas, de acordo com a equipa, isto deve-se à forma como os diferentes géneros são criados e às suas experiências, e não tanto à evolução.
“É bastante óbvio para mim que a diferença entre os sexos humanos é resultado da cultura, e não da evolução”, diz, em entrevista ao Daily Mail, Justin Rhodes, um dos autores do estudo, que realizou, em 2022, um estudo semelhante, mas os resultados foram limitados devido ao número de espécies analisadas (apenas 11) e pela falta de dados sobre humanos não ocidentais.
“As diferenças de sexo no comportamento ou no desempenho podem resultar de processos biológicos ou culturais que têm pouco a ver com a evolução”, lê-se também no estudo, publicado no The Royal Society Journal.
Para chegar às novas conclusões, a equipa do estudo analisou dados de vários estudos desde os anos 60 sobre 21 espécies, incluindo cavalos, lagostins ou chimpanzés, por exemplo, para identificar as origens das suas habilidades de orientação e perceber que diferenças existiam entre géneros no que diz respeito à relação entre a área vital de cada espécie (em inglês home range), que corresponde à área em que um animal vive e se desloca periodicamente (para procurar alimento, por exemplo), e a sua orientação espacial. A espécie humana também estava incluída nesta análise.
Os investigadores analisaram a distância que cada género de cada espécie percorreu desde a sua base, através de observação, por exemplo, e seguiram os hábitos das espécies ao longo de diferentes períodos de tempo (de menos de um ano a mais de um ano), comparando também como as espécies se orientavam “com e sem uma época de reprodução pronunciada”, lê-se no estudo.
Relativamente aos humanos, a equipa reuniu vários dados, registando quanto tempo demoravam a orientar-se em novos ambientes ou medindo quão bem os participantes conseguiam apontar para um local fora do alcance visível.
Entre outras conclusões, a equipa percebeu que não houve diferenças significativas em várias espécies no que diz respeito à área vital e apenas em fêmeas de duas das espécies do estudo verificou-se uma área vital maior relativamente aos machos. Contudo, verificou-se uma vantagem masculina no que diz respeito à orientação.
De acordo com a equipa, é essencial, agora, realizar mais investigações que permitam determinar como a função cerebral é moldada para tornar os homens mais habilidosos no que diz respeito à orientação espacial.
Os investigadores referem ainda que a investigação futura deve focar-se na maneira como a socialização e a cultura influenciam a forma como cada sexo se orienta espacialmente, em vez de olhar para isto a partir da lógica da evolução.