A grande descoberta estará relacionada com a proteína interferão beta, que o corpo humano produz quando é atingido por uma infeção viral.
A empresa de biotecnologia britânica Synairgen testou a administração de interferão beta diretamente nos pulmões dos pacientes infetados com Covid-19, através de um nebulizador. O objetivo é estimular a resposta do sistema imunitário.
Os resultados preliminares do ensaio clínico revelam uma diminuição da probabilidade de os doentes internados desenvolverem um quadro clínico grave de 79%.
O tempo de permanência no hospital dos pacientes que participaram no estudo diminuiu um terço, passando de uma média de nove dias de internamento para seis
De acordo com a empresa responsável pelo ensaio, as pessoas que receberam o tratamento tiveram uma menor necessidade de ventilação e duas a três vezes mais hipóteses de recuperarem totalmente da doença.
Também o tempo de permanência no hospital dos pacientes que participaram no estudo diminuiu um terço, passando de uma média de nove dias de internamento para seis.
O ensaio envolveu 101 voluntários, internados em nove hospitais do Reino Unido, infetados com o SARS-CoV-2. A metade foi administrado interferão beta e aos restantes 50% um placebo (substancia inativa). A experiência foi duplamente cega, ou seja, nenhum dos envolvidos sabia quem tinha realmente recebido o novo tratamento.
Os resultados ainda não foram publicados numa revista com revisão científica, mas a empresa é obrigada a divulgar as suas conclusões antecipadamente por ser cotada em bolsa.
Se a eficácia do tratamento for confirmada em ensaios mais alargados, a abordagem à Covid-19 poderá ser totalmente revolucionada.
Contra o tempo
À BBC, o CEO da Synairgen, Richard Marsden, afirmou que “dificilmente os resultados poderiam ser mais promissores”.
Agora, serão apresentados aos reguladores de saúde de vários países do mundo, com o objetivo de responder a todas as exigências necessárias para que o tratamento seja autorizado.
Ao que parece, o SARS-CoV-2 inibe a produção de interferão beta para facilitar a sua entrada no corpo humano.
Este processo pode demorar meses, mas vários Governos, incluindo o do Reino Unido, comprometeram-se a aprovar terapias inovadoras para a Covid-19 com a maior rapidez possível, tal como já aconteceu com o antiviral remdesivir.
Se for homologado, será necessário produzir nebulizadores e interferão beta em larga escala. A empresa britânica garante estar pronta para garantir o abastecimento de cem mil doses, por mês, no inverno.
O interferão beta pertence à primeira linha de defesa do sistema imunitário, avisando-o de que se avizinha uma infeção viral. Ao que parece, o SARS-CoV-2 inibe a sua produção para facilitar a sua entrada no corpo humano.
Este novo tratamento transforma esta proteína num aerossol que entra diretamente em contacto com as vias respiratórias através de um nebulizador. Acredita-se que, desta forma, será possível espoletar uma resposta antiviral, mesmo em pacientes com o sistema imunitário enfraquecido. Aparentemente, pessoas com asma ou outras doenças respiratórias toleram a terapêutica.
O medicamento será mais eficaz se for administrado no início da infeção.
O interferão beta já é utilizado, por exemplo, no tratamento da esclerose múltipla. Resta saber se também será útil contra a Covid-19.