Máscaras. Terão sido elas a impedir que duas cabeleireiras infetadas com a Covid-19 contaminassem mais de uma centena de clientes, que poderiam ter contagiado outras tantas pessoas.
A história consta de um relatório do prestigiado Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, dos EUA, que sublinha as virtudes do uso de máscaras, sobretudo em espaços fechados.
Os investigadores responsáveis pelo relatório, que inclui membros do Springfield-Greene County Health Department, não conseguiram apurar, com total certeza, todos os fatores que contribuíram para evitar um surto, mas não duvidam de que o uso de máscaras terá sido fundamental para conter a doença.
Os investigadores não duvidam de que o uso de máscaras terá sido fundamental para conter a doença
As duas profissionais interagiram com 139 clientes até confirmarem o diagnóstico da infeção. Ficaram doentes a meio de maio e continuaram a trabalhar com sintomas da doença ao longo de uma semana. Uma das mulheres atribuiu a tosse e a febre às suas habituais alergias e, mesmo enquanto aguardava o resultado do rastreio do vírus, continuou a ir trabalhar. Uma das suas colegas revelou sintomas alguns dias mais tarde. Ambas acabariam por testar positivo, mas os restantes quatro elementos da equipa do salão não foram infetados.
Máscaras falíveis
Até ficarem em isolamento em casa, as duas cabeleireiras interagiram com 139 clientes. Alguns deles exigiram procedimentos prolongados, como permanentes ou a coloração do cabelo, que implicaram contactos de aproximadamente uma hora, tempo suficiente para o vírus se disseminar. No entanto, como tanto a profissional como o cliente usavam máscara, não houve transmissão.
Nos quinze dias seguintes ao contacto, nenhum dos clientes revelou sintomas da doença. Dos 67 que aceitaram fazer o teste de rastreio, todos tiveram um resultado negativo.
Os especialistas sublinham que a utilização de máscara não garante proteção total contra a doença.
Ao entrevistarem 104 das 139 pessoas atendidas pelas duas mulheres infetadas com o coronavírus, os investigadores perceberam que todos tinham usado máscara durante a marcação.
Alguns clientes utilizaram máscaras FFP2, com capacidade para filtrar cerca de 95% das partículas, mas a esmagadora maioria utilizou máscaras de tecido ou cirúrgicas, tal como usavam as cabeleireiras. Apesar de não serem tão seguras como as primeiras, mostraram ser perfeitamente eficazes nesta situação.
Os especialistas sublinham que a utilização de máscara não garante proteção total. Além disso, não justificam que as pessoas infetadas violem o isolamento. E alertam para a possibilidade de os clientes que não aceitaram ser testados terem contraído a doença, mas estarem assintomáticos. Também não foram contactados os clientes atendidos antes de as cabeleireiras revelarem sintomas.
Ao mesmo tempo, é preciso ter em atenção o contexto específico desta interação em que a cabeleireira está, a maior parte do tempo, nas costas do cliente e não de frente para ele.
Ainda assim, consideram este episódio uma prova da importância da utilização de máscara para conter a pandemia.