
Vasco não gosta nem costuma fazer selfies, mas perante a nossa insistência, enviou-nos esta diretamente de Paris, com o cachecol de Portugal em evidência
As mães, sempre as mães. Que o diga Vasco Galhardo Simões que aos 21 anos se viu entre os vencedores de um dos mais prestigiados concursos internacionais de iPhoneography, disputado por milhares de concorrentes de 139 países. E isso deve-o à mãe, que um dia se deparou com um cartaz em que constava informação acerca dos Iphone Photography Awards e o avisou para Londres, onde está a tirar o curso de Relações Internacionais e Ciência Política (com uma escapada até à Austrália para fazer Erasmus).
Vasco candidatou-se em agosto do ano passado, com três fotografias, daqueles artísticas com que mantém uma presença assídua no Instagram e no Vsco. E nunca mais se lembrou de tal coisa.
“Gosto de ser diferente nas fotografias que publico. Mas até agora isto tem sido um hóbi, até porque todas as minhas imagens são tiradas com iPhone. Não tenho nenhuma câmara…”, conta Vasco, através do Messenger do Facebook porque ainda está em Paris a festejar a outra vitória, a dos portugueses no campeonato da Europa de futebol.
Só que agora o hóbi ganhou dimensão, com a conquista do primeiro lugar na categoria Landscape nos prémios lançados em 2007 para enaltecer as tremendas imagens que podem ser apanhadas pelas câmaras mais pequenas e sem grandes artifícios. “Nunca pensei em fazer disto profissão, mas nunca se sabe”, revela.
Há três semanas, Vasco recebeu um email dos IPPAwards, pedindo-lhe que enviasse uma breve descrição sobre ele e a fotografia das nuvens, tirada dos ares. “Fi-la a 5 de Janeiro de 2015, num voo de regresso a Londres. Era uma visão única da Ponte 25 de Abril, que aproveitei rapidamente. Tive um bom sentido de oportunidade e alguma sorte, pois cerca de 30 segundos após tirar a fotografia o piloto mudou a rota e deixei de ver a ponte. Estava no local certo, à hora certa.”
Quando saíram os resultados, na semana passada, mandaram-lhe outro email para que fosse espreitar o site. “Foi então que tive a confirmação de que tinha ganho numa das 19 categorias existentes.” Descobriu também que o prémio será uma barra de ouro e um livro da Apple Store com todas as fotografias vencedoras.
E, apostamos, até já deve ter decorado as palavras sábias daqueles que venceram o prémio Fotógrafo do Ano. “Ter um iPhone significa que toda a gente pode tirar fotografias, mas tirar fotografias não faz de uma pessoa um fotógrafo”, diz a americana Carolyn Mara Borlenghi. O chinês Siyuan Niu não podia estar mais de acordo: “O iPhone é como uma caneta nas nossas mãos. Bem ou mal, a caneta por si só nunca vai escrever poemas, mas o poeta sim.” O nosso poeta confessou que tem a certeza de que vai continuar a tirar fotografias. Bem ou mal.