No final da semana passada, teve lugar em Washington uma “Reunião Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político”, com a participação de delegações de mais de 60 países, incluindo Portugal. Em causa, o “terrorismo de extrema-esquerda”, a ameaça mais premente para o governo de Donald Trump.
No final da reunião, o secretário de Estado Marco Rubio fez um discurso no qual explicava a urgência do tema e as razões do foco. “O radicalismo de esquerda pode assumir diversos slogans e ideologias diferentes ao longo do tempo e em diferentes lugares – anticapitalista, anti-imperialista, comunista, anarquista, marxista –, mas o carácter fundamental é sempre o mesmo. É um ressentimento venenoso disfarçado na linguagem da igualdade, da justiça e da libertação; uma necessidade avassaladora de destruir o que homens superiores construíram, de destruir o que é belo e correto, em nome de pessoas que estão repletas apenas de feiura e não têm mais nada a oferecer ao mundo.”
Marco Rubio, que atualmente governa a Venezuela à distância, controlando as suas finanças e sobretudo os seus recursos naturais, deu vários exemplos do terrorismo de extrema-esquerda nos anos 70 e 80, das Brigadas Vermelhas italianas aos grupos armados da América Latina. “Hoje, enfrentamos uma nova onda desse antigo mal”, continuou. E enumerou alguns exemplos atuais: “Um atirador transgénero abrindo fogo contra alunos de uma escola primária católica enquanto eles rezavam… Um executivo do setor da saúde assassinado a sangue-frio. Múltiplas tentativas de assassinato contra um Presidente em exercício [Donald Trump]. E o assassinato do maior ativista conservador de uma geração… [Charlie Kirk].”
Vamos aos factos. Segundo um relatório recente do norte-americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), existe, sem dúvida, um aumento da violência da extrema-esquerda nos EUA nos últimos dez anos, “particularmente desde a ascensão política de Donald Trump, em 2016”, nota o estudo, “embora esse aumento parta de níveis muito baixos e continua muito mais baixo do que a violência histórica levada a cabo pela ultradireita e pelos extremistas jihadistas”.
Uma violência não justifica a outra. A questão aqui é de prioridade. E a prioridade, notam vários analistas políticos dos mais conceituados órgãos de comunicação norte-americanos, é a destruição da Antifa. A Antifa não é um movimento organizado, não tem liderança centralizada ou uma estrutura unificada. Trata-se de uma designação para “antifascista” que qualquer grupo ou pessoa pode usar se assim se considerar. A Antifa é mais uma ideia do que uma organização. O que não quer dizer que este nome não seja usado por extremistas mais violentos.
A Antifa está na lista governamental como “grupo terrorista doméstico”. Uma série de ações podem ser levadas a cabo contra quem apoia a ideia da Antifa, ou seja, o antifascismo, incluindo ser processado (julgado) por isso mesmo, como explicou Stephen Miller, conselheiro da Casa Branca.
A liberdade de expressão, que a ultradireita e o próprio Donald Trump costumam reclamar para si, é sempre uma das primeiras vítimas do autoritarismo. Não se pode falar, a opinião é um terror. Ou, como escreveu Hannah Arendt, “não existem pensamentos perigosos; pensar, por si só, é perigoso”.