Se há algo que ninguém pode negar a Andy Burnham é a sua persistência e uma enorme capacidade de resistência. Para chegar ao cargo mais exigente e escrutinado do Reino Unido, ele teve de ultrapassar várias desilusões, de redefenir o seu percurso e, como acontece tantas vezes, de saber esperar pela sua hora. Em 2010, depois de ter trabalhado nos governos de Tony Blair e Gordon Brown, e com uma carreira como deputado, não teve êxito na sua candidatura a líder do Partido Trabalhista. Mais tarde, em 2015, chegou a ser apontado como favorito na mesma corrida, mas perdeu a disputa com Jeremy Corbyn, da ala mais à esquerda do partido. Retirou-se, então, para Manchester. Ganhou as eleições para presidente da recém-criada Câmara de Grande Manchester e, durante nove anos, soube fazer a diferença, nomeadamente com a criação de uma rede de transportes públicos, a redução do número de pessoas sem-abrigo e uma postura dinâmica durante a pandemia de Covid-19, absolutamente fraturante em relação à do então primeiro-ministro, o conservador Boris Johnson.
Por causa do seu trabalho em Manchester, Andy Burnham começou a ser conhecido como “Rei do Norte”. E foi com essa aura que, na segunda-feira, entrou no nº 10 de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro britânico, como sucessor de Keir Starmer. Fê-lo, no entanto, sem o habitual batismo de fogo de uma campanha eleitoral geral. A velocidade da sua transição, em que passou de mayor a deputado e diretamente para a chefia do governo, é inédita na História recente do Reino Unido. E criou uma onda de expectativa popular que o próprio Burnham tem procurado alimentar, chegando a classificar a sua ascensão como “a mudança mais significativa na nossa política nos últimos 40 anos”, ao mesmo tempo que prometeu um ataque frontal ao neoliberalismo e uma descentralização radical do Estado.
