Depois de analisadas 1.4 mil milhões de declarações fiscais de norte-americanos entre 1999 e 2014, uma equipa de investigadores da Universidade de Stanford concluiu que os mais ricos têm mais anos de vida, enquanto aqueles com rendimentos mais baixos também vivem menos.
O estudo, conduzido pelo professor de Economia Raj Chetty, foi publicado pelo Journal of American Medical Association e constatou que aqueles que estavam no topo da tabela viveram em média 15 anos mais que os que constituíam a base do ranking.
Além disso, a investigação trouxe à tona novidades em relação às diferenças entre viver em pequenos ou grandes espaços urbanos. O economista e sua equipa concluíram que os moradores de grandes cidades, ainda que tendo um salário baixo, viviam mais anos do que aqueles que possuíam o mesmo dinheiro e residiam em cidades com menor dimensão.
A descoberta revelada na passada segunda-feira contraria os estudos prévios: a rotina citadina, afinal, é sinónimo de mais anos de vida. O que os investigadores de Stanford vieram demonstrar é que os cidadãos de Nova Iorque ou de São Francisco com um rendimento baixo eram premiados com o elixir da vida (não eterna, mas mais longa) em comparação com os de Detroit ou Tulsa. “Há imensa conversa sobre a desigualdade a nível nacional mas este estudo prova que, no contexto da saúde, naquele que é o mais importante resultado – a esperança média de vida –, o debate devia centrar-se a nível local”, garantiu Raj Chetty à revista Time.
Não se trata de comprar mais para viver mais, sejam cuidados médicos ou bens materiais. Os especialistas sugerem que esta relação entre o dinheiro e os anos de vida se processa através de algo mais simples: comportamentos. A estabilidade psicológica que os salários altos podem conferir interferem com a longevidade. “As desigualdades na esperança média de vida nos vários locais são explicadas pelo comportamento diferente de quem tem mais dinheiro”, explicou o investigador. Mas o economista acredita que há um “efeito bola de neve” em cidades onde medidas de saúde pública beneficiam pessoas de todos os estratos sociais. Costuma dizer-se que “dinheiro compra pão, não compra gratidão, mas pode dar-lhe algo igualmente precioso: tempo e saúde.