Quando Francisco Louçã citou um discurso de Aline Hall de Beuvik, acusando-a de ter dito que os comunistas, de facto, tinham comido criancinhas, talvez tenha feito à deputada minicipal Aline Hall de Beuvink, eleito pelo PPM, de que é dirigente, um grande favor: de súbito, todo o País ficou a conhecer esta monárquica portuguesa, nascida no Brasil, de ascendência ucraniana (pela parte dos avós maternos) e pai português. Ainda por cima, ficou demonstrado que as palavras de Louçã foram descontextualizadas – Aline referira-se ao “mito com fundo de verdade”, que teria origem no Holodomor, a grande fome promovida por José Estaline, na Ucrânia, nos anos 30, tendo havido relatos de canibalismo entre as vítimas das políticas do ditador comunista. Ou seja, com tal exposição, originada pelas declarações de Louçã, a deputada sai por cima e o ex-coordenador do Bloco de Esquerda acabou por ficar mal visto, no confronto do fact cheking. Mas, sobre isso, Aline Hall de Beuvink não se mostra agradecida pelo “favor”: “Se a tentativa de me ridicularizar é um favor… Não me parece”.
A prpósito do tema, acrescente-se que, já este ano, a doutorada em História e professora universitária foi a única deputada municipal a votar contra a saudação da AML ao PCP, pelos seus 100 anos. Embora reconhecendo que os comunistas tiveram um papel no combate à ditadura, não lhes perdoa terem tentado impor outra ditadura, de sinal contrário, durante o PREC – e essa tentativa teria prejudicado o mérito anterior.
Monárquica convicta, só concebe esse tipo de regime, porém, em democracia e no quadro constitucional: “Um rei não governa, mas é preparado, desde criança, para assumir as funções de Chefe de Estado, sabendo situar-se acima dos interesses económicos, lobistas e, sobretudo, partidários”. Também “não é verdade”, defende, que um monarca “não possa ser substituído” (como acontece aos presidentes, em eleições, ou por limitação de mandatos, no regime republicano) quando não é reconhecido pelo povo. “Nas eleições presidenciais, apenas 20% dos portugueses votaram no Chefe de Estado. Mas um rei tem de ser aclamado pelo povo”.
Assume-se de direita, embora reconheça que há gente de esquerda no PPM, um partido que “recusa o sectarismo”. Preocupada com a ascensão dos populismos – foi contra a associação ao Chega, no acordo de base parlamentar existente, à direita, nos Açores, e que inclui o PPM – reconhece que as lições do passado são pouco tidas em conta pela classe política, bastante ignorante no conhecimento da História. Amiga de André Ventura, não vê nele o mesmo político que conheceu, quando o atual líder do Chega pertencia ao PSD, mas duvida que fenómenos como o regresso de ideologias análogas às dos fascismos dos anos 20 e 30 tenham expressão em Portugal.
Muito crítica da gestão de Fernando Medina em Lisboa, arrasa a construção febril de ciclovias e, embora sensível às questões ecológicas (bandeira cujo monopólio recusa à esquerda…) afirma que as políticas ambientais da Câmara de Lisboa estão longe de obedecer a um plano coerente e estruturado. O PPM apoia a candidatura de Carlos Moedas, sobre a qual tem grandes expecttivas. Poderá sair da AML e assumir um cargo de vereadora, caso Moedas ganhe? Sobre isso, apenas diz que gosta muito de ser deputada municipal.
Na rubrica “Toca e Foge”, à expressão “sangue azul” reage com a afirmação de que só depois de “engolir um tinteiro”. E à dica “25 de Abril” responde com uma única palavra: “Sempre!”.
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