Em cinco anos, a gestão de Carlos Moedas assinou com a Media Livre contratos no valor global de €617 796, quer diretamente através da Câmara Municipal de Lisboa quer através da EGEAC (a empresa municipal de Cultura) ou da Gebalis (a empresa que gere os bairros municipais). É um valor que representa um aumento de 186% face ao que tinha sido contratualizado nos oito anos da gestão de Fernando Medina com a empresa de média que detém o Correio da Manhã e a CMTV, mas também o canal Now, no qual Moedas acaba de se estrear como comentador, com um “programa de autor” em horário nobre. Se a conta for feita anualizando o valor, o aumento face à era Medina é ainda mais gritante: uma subida de 358% nos contratos assinados com aquela empresa.
Segundo os dados recolhidos através do Portal da Transparência, onde são publicados todos os contratos públicos, os serviços prestados pela Media Livre à Câmara Municipal de Lisboa nestes anos incluem a produção de vídeos, a transmissão do concurso Talentos de Bairro e a compra de espaços publicitários quer para campanhas da autarquia quer para a publicação de anúncios obrigatórios. Mas não só. A Media Livre foi também contratada para organizar debates. Um deles foi a conferência Uma Cidade para Todos, que chegou a ser apresentada como “iniciativa do Correio da Manhã e da CMTV” antes de o jornal online Página Um noticiar que o evento, que incluía um debate sobre segurança e outro sobre imigração, tinha sido pago através de um contrato de prestação de serviços no valor de €147 600, integralmente custeados pela autarquia. O preço incluía não só os debates, mas também conteúdos, como resumos e peças de enquadramento.
