Luís Montenegro quer ganhar as autárquicas. Leia-se: tirar ao PS a presidência da Associação Nacional de Municípios e a da Associação Nacional de Freguesias, somando o maior número de câmaras e juntas no País. O objetivo foi traçado há um ano, quando, depois de ser reeleito líder do PSD, Montenegro disse que queria o partido a vencer as autárquicas e a “colaborar para a eleição de um Presidente da República para os cinco anos seguintes”. Problema? José Luís Carneiro tem exatamente a mesma ambição no que toca às autárquicas e, de alguma forma, depende disso para poder continuar a reclamar para o PS o estatuto de grande partido, numa altura em que já foi ultrapassado pelo Chega em número de deputados. “Temos um objetivo político: ganhar o maior número de câmaras, ganhar o maior número de assembleias municipais e ganhar o maior número de juntas de freguesia”, dizia Carneiro em agosto numa entrevista à VISÃO.
Tendo em conta a fasquia que Montenegro e Carneiro colocaram a si próprios, só poderão cantar vitória se ficarem com a maioria das 308 câmaras que vão a votos no dia 12 de outubro. Se isso é verdade, é também verdade que há algumas câmaras que pela sua dimensão ou importância simbólica ajudarão a fazer a leitura dos resultados eleitorais nestas autárquicas. O problema é que há muito poucas favas contadas, numa disputa eleitoral na qual 89 presidentes de câmara saem por limitação de mandatos (cerca de metade dos quais do PS) e com o Chega de André Ventura a fazer uma aposta forte para conseguir implantar-se como partido autárquico.
