No rescaldo da festa verde e branca, que contou com muita gente sem máscara, ajuntamentos e confrontos entre a PSP e adeptos, o presidente da República disse que “a noite não correu bem em termos de saúde pública” e admitiu que espera que o cenário de tanta gente junta, sem máscara, não venha a ter “custos para os Lisboetas”.
Em deslocação pelo Minho, no âmbito do roteiro “Portugal Próximo”, Marcelo Rebelo de Sousa não quis responder às questões sobre se a responsabilidade pelo que correu mal foi do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. Porém, apontou: “Quem deve prevenir não conseguiu prevenir”.
Com o jogo da Taça de Portugal, entre o Benfica e o Braga, dentro de uma semana, e com a esperada final da Champions no Estádio do Dragão, no final do mês de maio, o chefe de Estado mandou ainda outro recado: “Vamos todos pensar que aquilo que aconteceu ontem não deve ser padrão para as próximas semanas e meses”.
Para o deputado do PS e ex-secretário de Estado da Administração Interna, Ascenso Simões, “as autoridades estiveram à altura dos acontecimentos”. Por isso, critica o facto de “o Presidente da República estar a mandar recados ao Governo e ao ministro da Administração Interna”.
“Não me agrada este tipo de reação a quente, quando perante uma imprevisibilidade, que tem a ver com o comportamento humano, e quando não podemos fechar as cidades e andar a bater em tudo o que se mexe. No geral, olhando para a realidade do que aconteceu durante o festejos, as autoridades estiveram à altura, principalmente a PSP”, disse, à VISÃO, o deputado, após as declarações do chefe de Estado.
“Desconheço o plano de segurança , mas fui acompanhando pela televisão, com a imagem que permitiu perceber a ação e evolução das forças no terreno, e posso assegurar: o que foi feito, foi bem feito, com a PSP a ser reforçada de acordo com as necessidades no terreno, entre o Campo Grande e o Marquês de Pombal”, frisou, acrescentando que “não há que recear o que possa acontecer no Dragão, porque somos um país que, desde a preparação do Euro2004, sabe lidar bem com as claques, sabe identificar células que possam provocar desacatos e e somos reconhecidos a nível europeu por isso mesmo”.
A VISÃO questionou a PSP sobre os incidentes, que prometeu para mais tarde uma reação. Do Ministério da Administração Interna, da Câmara de Lisboa e Direção-Geral da Saúde ainda não houve qualquer resposta às perguntas colocadas. O plano para controlo dos festejos foi desenhado pela PSP, Câmara de Lisboa e Sporting.
Quando o clima aqueceu, ao final da noite de terça-feira e princípio da madrugada, o primeiro-ministro chegou a apelar à calma nos festejos, no Twitter.

Já esta manhã o deputado do PSD, Duarte Marques, um dos maiores críticos da ação da Administração Interna nos últimos anos, apontou baterias ao ministro Eduardo Cabrita, que tem estado debaixo de pressão devido à intervenção em Odemira, para conter a pandemia junto da comunidade migrante de trabalhadores.

O presidente da concelhia PS/Porto e deputado, Tiago Barbosa Ribeiro, também criticou o cenário verificado ontem mas pelo comportamento de muitos adeptos.

Foram uns quantos milhares que acorreram ao Marquês de Pombal para a comemoração da vitória no campeonato pelo Sporting, 19 anos depois da última conquista. Entre eles, muitas figuras públicas, como a ex-líder do CDS-PP, Assunção Cristas.
