A partir da próxima segunda-feira, os alunos dos 2.º e 3.º ciclos regressam às aulas presenciais; reabrem as lojas até 200 m2 com porta para a rua, feiras, esplanadas, ginásios, museus e monumentos. O Governo decidiu, em Conselho de Ministros, esta quinta-feira, que o País tem condições epidemiológicas para prosseguir com o plano de desconfinamento, mas sinalizou 19 concelhos na mira dos especialistas e onde o confinamento pode vir a durar mais tempo.
“Esta avaliação deve ter em conta a situação diferenciada do País”, afirmou o primeiro-ministro, que explicou que os especialistas aconselharam o Executivo a não avançar com as próximas fases do desconfinamento em municípios que apresentem, durante 15 dias consecutivos, níveis de risco acima dos recomendados. Neste momento, há 19 concelhos portugueses com a taxa de incidência acima dos 120 novos casos por 100 mil habitantes a 14 dias (patamar de alerta); sendo que 6 destes estão mesmo a cima dos 240 infetados por 100 mil habitantes.
Os 19 concelhos com risco elevado são: Alandroal, Albufeira, Beja, Borba, Cinfães, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Lagoa, Marinha Grande, Penela, Soure, Vila do Bispo, Vimioso, Carregal do Sal, Moura, Odemira, Portimão, Ribeira de Pena e Rio Maior.
Segundo o primeiro-ministro, o rastreio de contactos nestes municípios será reforçado para evitar que as cadeias de transmissão se alarguem e que o desconfinamento adote, na próxima quinzena, uma velocidade menor nestes locais em relação ao resto do País.
O Plano de Desconfinamento, apresentado por Costa a 11 de março, prevê que sejam levantadas restrições progressivamente a 5 e 19 de abril e a 3 de maio. No entanto, estas fases estão sempre sujeitas a uma avaliação com base na incidência de casos de Covid por 100 mil habitantes a cada 14 dias e no RT (indicador que mede o número de transmissões que um infetado faz). Caso Portugal ultrapasse os 120 novos casos por 100 mil habitantes e um RT de 1, os governantes terão de analisar a velocidade do desconfinamento e ponderar um possível retrocesso.
António Costa justificou a abertura das escolas, lojas, ginásios e monumentos na próxima segunda-feira com a evolução positiva da taxa de incidência: “diminuímos de 118 casos por cem mil habitantes a 14 dias para 62,4”. Mas, advertiu o governante, o R “tem vindo a acelerar”, dirigindo-se “para uma zona cada vez mais próxima do amarelo [na matriz do desconfinamento]”.

“O tradicional almoço de Páscoa deve mesmo ser evitado”
Apesar de o desconfinamento avançar mais um passo na segunda-feira e de a proibição de circulação entre concelhos terminar, António Costa pediu mais um esforço aos portugueses durante este fim de semana de Páscoa.
O alerta é para evitar “todos os convívios que ultrapassem as pessoas com quem coabitamos” nesta época. “O tradicional almoço de Páscoa deve mesmo ser evitado”, continuou o primeiro-ministro.
Costa elogiou ainda o comportamento dos portugueses até agora que, com “sacrifício, determinação e persistência”, têm conseguido fazer com que o País evoluísse “dos piores do mundo para a situação em que hoje nos encontramos”. “Só a Islândia tem melhores resultados do que os de Portugal”.
[Os bons resultados] são fruto do sacrifício dos portugueses. Mas esse orgulho deve ser convertido em força motivadora para continuarmos a manter o esforço e para que não tenhamos de ficar a marcar passo ou regredir”