O maçon e militante do PSD Paulo Cardoso decidiu escrever a Rui Rio para mostrar a sua indignação perante a decisão do partido de querer obrigar os membros da maçonaria a assumirem a sua filiação quando ocupam cargos públicos e políticos. “As afirmações do Dr Rui Rio revelam uma ignorância muito grande” , explica à VISÃO, acusando o líder do PSD de “ao querer instituir um dever jurídico de obrigar a divulgação de filiação estar a criar precedentes perigosos”.
Paulo Cardoso, 52 anos, explica na missiva os motivos que o levam a abandonar o partido. Por um lado diz que não se sentiria de consciência tranquila se não o fizesse e entrega o cartão de militante do PSD, partido onde estava desde jovem.
A iniciativa do PSD que está a gerar polémica consta de uma proposta de alteração ao projeto inicial do PAN e foi entregue no dia 16 março na Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados da Assembleia da República, que está a debater o assunto. A grande mudança passa por tornar obrigatória a declaração de pertença quando o PAN a considerava facultativa.

Paulo Cardoso, que foi dirigente da juventude partidária e vereador da Câmara Municipal da Guarda, garante que nunca teve problemas em se assumir maçon, mas acrescenta que, neste momento, não vê outra solução a não ser abandonar o partido. “Com a carta que envio a Rui Rio vai o meu cartão de militante”, explica. Aliás, na missiva o maçon esclarece: “Apesar de o partido ser muito mais do que o presidente, não posso, face à persistente ignorância revelada e sobre a temática da Maçonaria, manter-me no partido, pois não ficaria bem com a minha consciência”.
Até há pouco tempo membro da Grande Loja Legal de Portugal, onde chegou a ocupar cargos de destaque, Paulo Cardoso decidiu, no entanto, sair desta obediência, tendo criado uma nova que se chama Grande Loja Unida de Portugal, da qual é atualmente grão-mestre. Nas palavras que dirigiu ao líder do PSD, o maçon chama ainda a atenção para o facto de “ninguém valorizar ou falar das coisas boas que a maçonaria faz”, como a de ter agora durante a pandemia “disponibilizado os seus templos e instalações para auxiliar o SNS, a Proteção Civil e os Bombeiros”.
A iniciativa do PSD surge na sequência do Projeto de Lei do PAN que determinava “a declaração da filiação ou ligação a organizações ou associações “discretas” mas não o tornava obrigatório.
No entanto, no documento, o PAN era claro ao referir a maçonaria e o Opus Dei como exemplo de organizações alvo do projeto.